Patinetes. Como tratar esses novos habitantes da cidade?
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Patinetes. Como tratar esses novos habitantes da cidade?

Mauro Calliari

04 de maio de 2019 | 01h11

Os patinetes parecem ter invadido não só só as ruas e calçadas mas também o imaginário coletivo da cidade.

Desde o início do serviço de aluguel de patinetes, tem havido um número crescente de relatos de atropelamentos, de quase atropelamentos e muita chateação na convivência entre esse novo ser elétrico e os bípedes.

Apesar da base ainda pequena, a novidade parece ter agradado uma certa camada da população de São Paulo, moradores da região oeste, onde estão concentrados, capaz de pagar um valor de R$1 para cada quinze minutos para se deslocar.

Pesquisa mostrada ontem pela empresa Grow  (que juntou duas concorrentes a Grin e a Yellow e fez um evento para destacar o papel do patinete como.parte da micromobilidade), mostra que quase 40% das pessoas que usam os patinetes deixaram de usar o carro para ir ao trabalho. Aos finais de semana, porém, o maior uso é para lazer mesmo, até com crianças, o que deveria ser proibido.

Em outras cidades do mundo, o conflito tem sido resolvido de maneiras distintas. Em algumas delas, os patinetes foram proibidos nas calçadas. Em outras, regulamentados, como parece vir a ser o caso de São Paulo, onde  há  sugestão de que eles não ultrapassem 6 km por hora quando estiverem nas calçadas.

O arquiteto responsável pelo programa de segurança no trânsito de Lisboa, Pedro Gouveia, acredita que proibir os patinetes seria tão ruim quanto deixá-los trafegar sem regulação nenhuma. Ou seja, é melhor se conformar com o fato de que a tecnologia muda sem nosso controle, mas ao poder público cabe decidir em que condições ela deve funcionar.

Como meio de mobilidade, o patinete é um ser estranho, que se move através de motor elétrico, custa relativamente caro, chega a perigosos 20 km por hora e tem rodinhas tão pequenas que tornam cada buraco ou desnível um perigo. Mas é uma alternativa ao trânsito, é mais silencioso e polui menos que um carro e hoje já divide as ciclovias com as bicicletas e as calçadas com os pedestres.

Especialistas defendem o básico: investir em ciclovias para acomodar patinetes, bicicletas e tudo o mais que parece estar sendo inventado em termos de mobilidade.  Também precisamos de mais áreas de calçadas, o que, diante das multidões que frequentam a rua Augusta, a Paulista, a Santo Amaro, parece mais óbvio ainda.

O fato é que hoje falta espaço para esse novo habitante que foge dos carros das ruas mas que acaba ameaçando as pessoas nas calçadas.

É ali que o patinete se torna um motivo de conflito. Assim, ao mesmo tempo em que vale a pena aceitá-lo como solução inevitável de mobilidade, não é possível ignorar o fato de que tem gente que dirige como se estivesse na pista de corrida.

A questão é sempre a mesma – educação. Afinal, um patinete não anda sozinho, ainda.

Ele depende de motoristas. E muitos dirigem mal mesmo. É a educação que faz a gente não precisar de leis para cada coisa. Nesse caso, elas seriam algo como:

“Não se pode tirar fina de pessoas, principalmente se ela estiver com uma criança no colo”‘.

“Não avance em direção à canela de alguém a 20km/hora”.

“É proibido assustar os pedestres”.

Francamente, em vez de leis, estamos precisando que as pessoas que dirigem os patinetes se liguem nesse assunto, como adultos que se preocupam com os outros. Apesar de ser um veículo lúdico e divertido, o patinete pode machucar.

Se você for dirigir um deles, quando encontrar pedestres, diminua a velocidade até a mesma velocidade de quem estiver andando a pé, ou desça do seu patinete quando tiver muita gente na sua frente.

Olhe no olho de quem vem vindo. Assegure a pessoa de que você a viu.

Não se trata apenas de mobilidade. Trata-se de educação mesmo.

 

fotos: Mauro Calliari

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