Vida que segue? Não para as vítimas de Brumadinho
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Vida que segue? Não para as vítimas de Brumadinho

Pablo Pereira

25 de fevereiro de 2019 | 17h27

Juiz novo na Lava Jato, reforma da Previdência no Congresso, Brasil louquinho para se meter no atoleiro interno da Venezuela e a cidade de São Paulo em êxtase com os blocos de carnaval de rua. Tudo muito importante. Mas o que não consigo esquecer, mesmo, é do que presenciei um mês atrás no interior de Minas Gerais, em Brumadinho.

Vida que segue, dirão… Não. Não depois de tanto sofrimento, tanta lama cobrindo as pessoas e arrasando tudo! Foi no 26 de janeiro, um dia depois da tragédia das 12h28, que encontrei a pequena cidade mineira, de brumas matinais e calor intenso no resto do dia, com centenas de pessoas correndo de um lado para outro em busca de notícias de parentes, amigos e conhecidos. Uma tragédia com dezenas de mortos, velórios sem corpo presente, doloridos funerais arranjados às pressas, perplexidade, mais um monte de gente desaparecida, a extrema crueldade com as famílias.

Alguns dias depois, diante da frustração repetida na conferência das listas, dezenas deles vagavam quietos, silenciosos, à espera das informações de resgates divulgadas nos corredores de um centro de convivência à beira do improvisado campo de socorro da barragem do Córrego do Feijão. Na lista das vítimas não encontradas, atualizada pela Vale às 12h deste 25 de fevereiro, permanecem 130 nomes.

Vida que segue é o caramba!

 

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