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Victor Dubugras e o palimpsesto

Pablo Pereira

05 de julho de 2010 | 11h05

Uma lembrança que sempre me vem à cabeça quando penso na imensidão de São Paulo é a definição sobre a cidade que ouvi do professor Benedito Lima de Toledo: palimpsesto. A palavrinha define o que se fazia antigamente com os papiros: raspava-se a escrita anterior para que sobre o mesmo “papel” se voltasse a escrever – com resultado pior. É o que ocorre aqui: um incessante redesenho de mapas, arquitetura, modos de vida.
Outro dia, guiado por Toledo, fui ler sobre Victor Dubugras. Entre outras obras, ele criou a Ladeira da Memória, monumento estudado pelo professor em livro que bem traduz palimpsesto: São Paulo: Três cidades em um século.
Dubugras é figura importante no cenário paulistano, conhecida no meio acadêmico, mas praticamente ignorada pela cidade. Fora o Largo da Memória, pouco dele se manteve. Amantes da obra do arquiteto encontram cada vez menos referências dele na paisagem paulistana.
A professora Sylvia Ficher, da UnB, que escreveu sobre o francês (foto) em livro de um outro cobra no assunto, Nestor Goulart Reis, diz: “No art nouveau, Dubugras equipara-se, além de Gaudí, a outros grandes como Horta, Guimard e Mackintosh, conforme inquestionavelmente demonstram algumas de suas criações mais inspiradas e infelizmente não construídas, como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro (1904) ou a Prefeitura de Niterói (1908), além de uma longa série de residências em São Paulo.”

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)