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Vancouver registra primeiro homicídio do ano. Já São Paulo, quem se importa…

Pablo Pereira

01 Fevereiro 2016 | 07h35

A polícia de Vancouver, British Columbia, Oeste do Canadá, passou este domingo, último dia de janeiro, envolvida na investigação de um suposto assassinato. E a cidade acompanha o caso com atenção. Um homem de 40 anos foi encontrado na noite de sábado morto a tiros em um apartamento de uma das principais ruas do centro, a Granville. Ele era processado por tráfico de drogas desde outubro e deveria comparecer na Justiça na terça, 2, para depoimento.

O caso policial de Vancouver chama a atenção não só porque é um crime contra a vida, mas também pelo que revelou ao ser registrado na estatística criminal da cidade: é o primeiro caso de assassinato de 2016. É isso mesmo: a cidade de Vancouver, a segunda maior do Canadá, registra no mês inteiro UM caso de morte violenta.

Os registros de assassinatos mostram que a criminalidade nesta bela cidade teve um ano atípico em 2015; 16 mortes. No ano inteiro. E isso é muito para os padrões deles porque em 2014 o total havia sido de 9 casos. O ano de 2013 teve o menor número de mortes violentas: 6. Em 2012 havia sido de 8 – no ANO, ok?

Quanto é mesmo que morre de gente assassinada em São Paulo? Segundo dados de dezembro, divulgados no Estadão, somente no mês de novembro houve 81 homicídios na capital. Em São Paulo ocorre uma matança. Mesmo com o governo estadual comemorando (e comemora com razão) quedas seguidas na criminalidade, anualmente as mortes são contadas às centenas, aos milhares – com 301 enterros de gente assassinada por MÊS (novembro).

De novo: há uma cidade, um centro urbano importante, procurado por gente do mundo todo, inclusive por milhares de brasileiros, chamado Vancouver, que em um mês registrou apenas 1 caso de morte violenta. Portanto, é possível, sim, viver sem matanças.

Para tentar entender melhor o tamanho desse descalabro social brasileiro diário, o número do Canadá inteiro, que tem 35 milhões de habitantes, é de 500 homicídios por ANO (2013). Repetindo: 500 mortes por ano! O estado de São Paulo, com seus 44 milhões de habitantes, tem mais do que o dobro de assassinatos.

Como informou na semana passada o jornalista Alexandre Hisayasu, atualizando o quadro macabro, “no Estado, foram registradas 3.757 mortes em 2015, ante 4.293 no ano anterior e a taxa de homicídios ficou em 8,73 por 100 mil habitantes. Na capital, a redução foi de 12,38%, com 991 ocorrências em 2015, ante 1.131 em 2014. A taxa de homicídios ficou em 8,56, ante 9,82 de 2014. Segundo informou a Secretaria da Segurança Pública, a média nacional hoje é de 25,17.”

É tanta gente nos necrotérios que os registros são feitos assim: quando há mais de um morto por “ocorrência policial” o caso é considerado UM homicídio com o números de mortos a seguir.

Mas, claro, matar e morrer, no Brasil, nem é uma questão. Contra essa barbárie não há campanhas, ninguém mostra surpresa, indignação – para não dizer responsabilidade e culpa. O governo vomita os dados da calamidade, as famílias lamentam, a OAB silencia, a Igreja perdoa e os movimentos sociais protestam contra o preço das passagens de ônibus. Quem se importa com isso, não é? São só tiros, facadas e mortos.

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