Universidades oferecem vestibular para alunos indígenas; veja lista de aprovados por etnia
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Universidades oferecem vestibular para alunos indígenas; veja lista de aprovados por etnia

Pablo Pereira

17 de junho de 2022 | 22h51

O debate nacional sobre comunidades indígenas volta forte à ordem do dia depois do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, cujos corpos foram resgatados da mata e levados para identificação oficial em Brasília. A repercussão internacional dessa barbaridade detona a imagem brasileira no exterior, mas isso é absolutamente secundário diante da tragédia vivida pelas famílias dos mortos. Nada do que será feito daqui em diante vai compensar a brutalidade e a tristeza da perda.

Só há uma forma de se ter esperança, além da punição dos criminosos, de que absurdos como esse não se repitam: educação. Educar as crianças e os jovens – até dessas comunidades – para a dura realidade brasileira. Tentar evitar que eles repliquem a visão sacana e retrógrada da intransigência na convivência com os diferentes.

Neste sentido, a universidade pode ajudar – e muito. A Unicamp, por exemplo, vem desenvolvendo programas de formação universitária para gente dessas comunidades tem  quatro anos. A UFSCar, mais tempo. As instituições trabalham na formação de nível superior de alunos indígenas oferecendo vagas no vestibular e agora têm as provas unificadas, com alunos, inclusive, na Amazônia, essa região que hoje chama as atenções do mundo pelo assassinato de Bruno e Dom, mas também pela devastação florestal, aquecimento global e crise  climática.

As provas do Vestibular Indígena, feitas em março, ocorreram em várias cidades: Bauru (SP), Campinas (SP), Dourados( MS), Manaus (AM), Recife (PE), São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga (AM). O número de inscritos e de matriculados cresce ano a ano.

Os aprovados estão sendo convocados desde maio e as aulas começam em agosto. Neste ano, a Unicamp ofereceu 130 novas vagas. A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), duas vagas.

Confira a lista de aprovados por etnia.

Baré – 78
Tukano – 41
Ticuna – 40
Baniwa – 35
Tariana – 17
Guarani – 16
Pira-tapuya – 14
Desana – 12
Terena – 12
Pankararu – 9
Kokama – 8
Kubeo – 8
Xukuru – 6
Kambeba – 5
Kotiria – 4
Tuyuka – 4
Pankará – 4
Tupiniquim – 3
Borari – 2
Kaingang – 2
Karapanã – 2
Kuikuro – 2
Krenak – 2
Atikum – 1
Banawá – 1
Xakriabá – 1
Witoto – 1
Marubo – 1
Cinta larga – 1
Wauja – 1
Gamela – 1
Kanamari – 1
Guató – 1
Rikbaktsa – 1
Kaxixó – 1
Matsés – 1
Matis – 1
Karipuna de Rondônia – 1
Kariri – 1
Kawaiwete – 1
Arapaso – 1
Guajajara – 1

O ingresso de jovens indígenas na vida acadêmica já ocorre com sucesso em países como o Canadá, por exemplo, há duas décadas. Na Universidade de Victória (UVIC), o programa  “Arte da Reconciliação” produz conhecimento e integração. Alguns povos, que  lá eles chamam de as primeiras nações, já têm até suas próprias instituições de ensino superior.

Em tempo: a Unicamp terá, dos dias 20 a 24, debates sobre emergência climática, direitos humanos e democracia com jornalistas e ambientalistas.

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