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Um Woody Allen na idade de ouro

Pablo Pereira

29 de junho de 2011 | 11h55

Outro dia, durante o último feriado, fui ao cinema no Conjunto Nacional, na Paulista, e vi um filme que tem tudo a ver com a alma desse blog. Woody Allen escreveu e dirigiu “Meia-Noite em Paris”, numa escancarada rasgação de seda ao passado da capital da França, paraíso de intelectuais e artistas norte-americanos no começo do Século 20.

Contar uma história a partir de um personagem que sai do presente em viagem ao passado não é novidade nem no cinema nem na literatura. Ainda na sala de projeção lembrei do livro do espanhol Paco Umbral “Las Señoritas De Aviñon”, que li nos anos 90, uma edição de 1996, no qual o autor cria um mundo parisiense de um garoto que cresce em meio a personalidades como poeta Rubén Darío e o pintor Pablo Picasso – que, aliás, no livro de Umbral, é amante de uma tia do narrador. Uma beleza.

Mas Woody Allen faz um filme que também é uma maravilha, com os atores Owen Wilson, Rachel McAdams e Marion Cotilliard nos principais papéis. Gil (Owen Wilson) volta no tempo e encontra uma Paris repleta de gente legal, festas, cultura biscoito fino. Gertrude Stein (Kathy Bates) e Dalí (Adrien Brody) estão perfeitos, entre tantos outros, como o Picasso (Marcial Di Fonzo Bo), novamente enroscado com uma amante (Marion Cotilliard), como no texto de Paco Umbral.

O filme de Allen é uma elegante homenagem ao passado glorioso francês, mas é também uma ode ao presente. Viver mirando adiante é bem mais legal quando podemos olhar para trás e curtir cada momento de nossa história. A “idade de ouro” é agora.

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