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Um Brasil legal mostrado no ‘New York Times’

Pablo Pereira

27 de dezembro de 2020 | 16h06

O suingue de Jorge Ben Jor nos sugere que as coisas no mundo realmente “são” depois de estarem nas páginas do The New York Times, o grande e famoso jornal norte-americano. “Deu no New York Times”, canta o artista, citando notícias curiosas do Brasil, como a feira de Acari, na zona norte do Rio, que, segundo ele, “é um sucesso”. É um lugar no qual é possível comprar de tudo, digamos, sem formalidades. Pois nesta edição de Natal, dia 25, “deu no New York Times” que o Brasil pode, no caso de uma pessoa, ser também terra de formalidades, um país legal, nos dois sentidos do termo.

O poderoso jornal americano descreve, na edição natalina, a história da ex-apátrida Maha Mamo, de 32 anos, a moça cuja saga o Estadão também mostrou, em reportagem de outubro de 2016, querendo deixar sua condição de apátrida ao solicitar, à época, a cidadania brasileira. Dois anos depois, em 2018, ela acabou conseguindo o desejado 

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O Estadão também noticiou essa conquista dela.

Portanto, aos 30 anos, Maha virou brasileira, com RG e passaporte, em uma ação humanitária do Ministério da Justiça, especialmente pela mão do então coordenador-geral do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Bernardo Laferté, também ele descendente de um apátrida. O Brasil foi o único país no mundo a adotar essa posição. Tudo isso aconteceu já no finalzinho do governo de Michel Temer, lembremos, um advogado constitucionalista que tem ascendência libanesa.

Maha tinha saído do Líbano porque não tinha, por condições familiares e religiosas, que ela própria explica nas reportagens, a tão desejada cidadania. Ela e dois irmãos foram acolhidos na condição excepcional de refugiados. Em Minas Gerais, foram fraternalmente hospedados por uma família mineira e ajudados na batalha para existir formalmente – um período que teve desdobramentos trágicos, como ela mesma sempre conta.

E Maha, desde então, aprofundou-se na defesa de uma causa mundial, o combate à apatridia, problema seriíssimo que atinge milhões de pessoas, segundo estudos da ONU, e é também uma agenda da entidade internacional por meio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Recentemente, a história de Maha virou um livro.

 

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