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Guerra do futuro, Ucrânia, monumentos alemães no escuro e o Brecheret do Ibirapuera

Pablo Pereira

03 de agosto de 2022 | 15h41

Cidades alemãs já estão desligando sistemas de iluminação de dezenas de monumentos para economizar energia. É o resultado imediato de uma crise que especialistas europeus em energia esperavam ver acontecer somente nos anos 2040, 2050, mas que já entrou em debate por lá. A guerra na Ucrânia mostra que o futuro foi antecipado em duas décadas.

O fornecimento de gás russo, que alimenta o sistema de usinas alemãs, já vive em alerta. Os alvos dos bombardeios russos, que ocorrem desde fevereiro, não são somente as cidades ucranianas e o poder regional de Zelensky, mas todo o sistema energético do continente – que está à beira do inverno.

Estudiosos e analistas de mercado de energia de França, Espanha e Alemanha já se deram conta de que quem controlar o abastecimento de energia não precisará mais somente mandar mísseis para destruir prédios e matar civis a mil quilômetros. Neste tipo de confronto, que se esperava ver no futuro, o domínio será exercido por quem tiver o controle da torneirinha do gás do aquecedor e do botão do ar-condicionado. Parece ficção científica, mas não é. Como se sabe, na área militar, mais do que em qualquer outra, nada é feito sem planejamento estratégico.

Pois, mesmo distante da área de conflito atual, países da América Latina, com o gigante tropical Brasil dentro, estão a cada dia mais no meio desse furacão. Se não pela dependência direta do gás russo, como no caso dos europeus que temem o frio glacial, pelos impactos do preço no mercado mundial de energia. Agora, é esperar para ver quanto tempo vai demorar para o impacto chegar ao preço da luz nas casas do Jardim Irene, na iluminação do Parque da Luz – ou no Brecheret do Ibirapuera.

 

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