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Tensão política dos anos 90 está de volta

Pablo Pereira

25 de novembro de 2018 | 22h55

A dramática foto de J.F. Diorio, de 1996, que ilustra a capa da edição do Estado daquele distante dia 9 de março, mostra o clima de tensão que havia no interior do País há 22 anos, quando os sem-terra passaram a apostar no enfrentamento, invadindo fazendas, para forçar o governo federal a desapropriar terras como aquela área no Pará. A atuação do MST em busca de uma reforma agrária na marra provocou a reação que derivou em uma tragédia um mês depois, em 17 de abril: 19 militantes foram mortos em conflito com a Polícia Militar na Rodovia PA-150, uma estrada de Eldorado dos Carajás. O governo de então era dos moderados do PSDB. Fernando Henrique Cardoso estava no Palácio do Planalto e Almir Gabriel, em Belém.

Passado todo esse tempo, o País volta a viver clima de ameaças de radicalização entre esquerda e direita, bombado nestes dias pela proximidade do governo de Jair Bolsonaro. O presidente eleito passou a campanha prometendo endurecer contra o MST e acaba de colocar Luiz Antonio Nabhan Garcia, o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), como chefe da Secretaria Especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura. Do outro lado, o PT, que se beneficiou eleitoralmente daquela onda e chegou em 2002 ao poder, onde permaneceu por 14 anos, diz agora que se prepara para uma política não de oposição parlamentar, mas de “resistência”.

Olhando esse quadro, vasculhei meus guardados de trabalhos pelos fundões do Brasil e encontrei o documento aí de cima, que pode ser visto também no Acervo do jornal. Aqueles foram anos intensos. Esses próximos meses serão cruciais para o País entender o real ponto de inflexão que ambos os lados vão adotar em suas ações políticas. A moderação, ao que parece, mais do que nunca, terá de ser invocada todos os dias.

 

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