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Suplicy é preso em drama de mais de meio século em São Paulo

Pablo Pereira

25 Julho 2016 | 12h59

A Justiça mandou a polícia despejar 103 famílias da favela do Vergueiro. Em 1962. No dia 19 de abril daquele ano, o jornal O Estado de S.Paulo publicou texto “A tragédia do Vergueiro”, que pode ser lido no Acervo, encerrado assim: “(…) é preciso que as autoridades se convençam de que, à bala, não farão o desfavelamento que São Paulo tem de fazer”. Ano: 1962. O terreno era de propriedade privada, da família Klabin – e hoje lá há um bairro de alto padrão naqueles terrenos. A favela do Vergueiro chegou a ter 7,5 mil pessoas e só foi desocupada totalmente, sempre à força, 5 ou 6 anos depois.

Pois 54 anos depois, hoje pela manhã, 25 de julho de 2016, foi preso o ex-senador Eduardo Suplicy ao tentar evitar a violência de um mandado judicial contra 350 famílias que moram há três anos em área do bairro Cidade Educandário, região da Rodovia Raposo Tavares. Terreno público. Suplicy foi retirado pela polícia e levado para a delegacia, acusado de desacato e obstrução da Justiça. Justiça?

A Justiça deveria é mandar prender o administrador público que durante pelo menos três anos viu o drama de centenas de pessoas e não foi lá resolver mais esse problema fundiário e habitacional da cidade. Ninguém mora em favela porque quer. Não. A Prefeitura de São Paulo e a Justiça preferem mandar a polícia resolver a questão à força. Mais de meio século e a relação entre Poder Público e contribuinte na solução de conflitos não muda. Habitação e pobreza continuam sendo caso de polícia.

 

 

 

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