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São Paulo vive tempos de Castro Alves

Pablo Pereira

22 de junho de 2022 | 10h54

Houve um tempo no qual eu tinha fascínio por praias. Como todo sulista sulamericano, era acostumado com as baixas temperaturas e o inverno fazia parte do cotidiano na maior parte dos dias do ano. Na infância, via meus amigos sumirem de dezembro a março porque as famílias se mudavam para o litoral para aproveitar o calor, o mar e as belezas que por lá desfilavam. Só retornavam em março, com o vento e a aulas.

Quando cresci, achei que, então, poderia também procurar o meu lugar ao sol. Como muitos habitantes das terras próximas de Uruguai e Argentina, parti empolgado para o Rio de Janeiro, destino de amigos de juventude que à época encontravam nas areias cariocas o conforto da luz solar abundante. Se não desse certo, haveria ainda a opção por Brasília ou até pelo Mato Grosso das florestas,  embora a umidade do centro-oeste fosse um tantinho desajustada para meu gosto.

Acabei optando por São Paulo, a terra da garoa, fresquinha à noite e agradável durante o dia, onde vivo há mais tempo do que vivi em qualquer outro lugar. Para recordar com prazer os tempos de criança fiz viagens para extremos de 10 graus negativos, lugares com gente encasacada, montanhas branquinhas e esquiadores curtindo a vida. Brinquei com punhados de neve, fiz bonecos de gelo e tomei chocolate quente para aquecer o peito. E gosto do clima de Campos do Jordão em julho. Mas sempre volto para São Paulo.

Nesta temporada, com os termômetros chegando aos 7 graus e a cidade lembrando um pouco do que era no Século 19, quando o baiano Castro Alves escrevia pela liberdade dos escravos, estudava Direito no Largo de São Francisco, amava Eugênia e sofria com o frio da Várzea do Carmo, tenho convivido, numa boa, com um novo – e bem-vindo – acompanhante: um aquecedor.

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