Ruy, a representação política e as contas do mês
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Ruy, a representação política e as contas do mês

Pablo Pereira

17 Março 2010 | 13h07

Lendo outro dia sobre estudantes que vieram para São Paulo nos anos 60 e 70 do Século 19, quando a cidade ainda tinha por volta de 50 mil habitantes mas já era um centro efervescente dos ideais abolicionistas e republicanos, relembrei de como tem mudado a cara da representação política brasileira.

 Ruy Barbosa, que chegou a São Paulo pouco mais do que um garoto e que com 18 anos já militava na política, escrevia artigos em jornais e discursava contra o Imperador, esteve ameaçado de abandonar os estudos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco por causa de dinheiro.

 Até aqui, tudo bem. A vida, em geral, não era fácil naquela época, como não o é hoje para muita gente. Mas o interessante é por que isso ocorreu: o pai de Ruy, João Barbosa, um liberal baiano, médico, metido em disputa política com um irmão, tinha perdido a cadeira de deputado pela Bahia. E vivia sabe como? Da renda dos doces fabricados pela mulher, Maria Adélia.

Com a morte dela, conta Luís Viana Filho no biográfico A vida de Rui Barbosa, “extinguira-se a única fonte de renda certa da família – o fabrico doméstico dos doces”. E o filho, Ruy, estudando em São Paulo. Não fosse a mão de amigos do pai (ah, os amigos!), Ruy Barbosa não poderia ter prosseguido nos estudos no Largo São Francisco.

Rui Barbosa 3

(post atualizado com reprodução de caricatura publicada no livro In Memoriam – Rui Barbosa – 1849 – 1923 e correção da grafia de Ruy, como ele assinava. Obras que escreveram nome com “i” foram respeitadas)