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Rio, festa olímpica com barracos no morro pedindo socorro

Pablo Pereira

05 Agosto 2016 | 18h53

A cidade do Rio, que vive temporada de Jogos Olímpicos, tem 1 milhão e 390 mil pessoas vivendo em favelas. O número está no artigo Como as cidades podem favorecer ou dificultar a promoção da saúde de seus moradores?, publicado na revista Estudos Avançados, da USP, edição 86. Ao abordar o saneamento e fornecimento de água, o estudo cita o Rio de Janeiro. “O desafio de reduzir essa desigualdade é definir quem vai de fato pagar pela infraestrutura completa”, diz o texto.

No ano passado, quando as obras da Olimpíada ainda patinavam no cronograma, entrevistei o prefeito do Rio, Eduardo Paes. Perguntei a ele, que à época andava eufórico com o volume de dinheiro, mais de R$ 36 bilhões, movimentado no município por conta do evento internacional, como entender tanto otimismo quando se olhava, por exemplo, para a favela da Rocinha, uma das áreas precárias que mais serão vistas por visitantes porque fica exatamente no caminho de quem vai (ou volta) da zona sul para a Barra, local da maior concentração de eventos atuais. Paes argumentou que o governo dele tinha forte preocupação com a moradia popular, que fazia investimentos vultosos na entrega de moradias, que estava trabalhando ainda mais para melhorar este setor. E alegou que os Jogos contribuiriam com a economia da cidade.

Um estudo da FGV Social, divulgado nesta semana, mostra que, de fato, houve melhoras nos indicadores sociais do Rio principalmente depois que foi anunciado, em 2008, que o evento seria na cidade. Houve melhora da renda, da coleta de lixo, de água encanada, casa própria com banheiro, máquina de lavar por residência,  densidade por dormitório, segundo o estudo dos técnicos da FGV. Porém, no quesito esgoto, prestação de serviço público, quando o Rio é comparado com outras cidades da Grande Rio, a setinha da medição aponta para baixo, está no vermelho.

A esta altura do campeonato, com os Jogos começados e a diversão rolando solta nas ruas cariocas, não cabe ficar aqui espalhando cascas de bananas na festa do Rio. Mas não dá para esquecer que os Jogos não foram e nem serão a panaceia para os problemas cariocas e que, daqui duas semanas, encerradas as competições, lá estarão os barracos pendurados no morro e pedindo socorro.

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