Relíquias de uma Espanha que encanta
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Relíquias de uma Espanha que encanta

Pablo Pereira

24 de junho de 2012 | 15h57

O melhor futebol do mundo na atualidade é o da Espanha. Neste sábado, 23, bateu a França pela Eurocopa por 2 a 0. Enquanto no Brasil uns e outros “falam” muito, os espanhóis “jogam” muito.

Outro dia, estive na Espanha. E entre uma visita ao Museu do Prado, berço de mestres, e ao Reina Sofia, onde mora o perturbador “El gran masturbador”, de Dalí, além de uma esticada à intrigante “La Pedrera”, de Gaudí, não resisti a duas visitas: aos templos do Real Madrid e do Barcelona. São clubes majestosos, como se costuma dizer no Brasil, país que há um século vem praticando o ludopédio, porém, atualmente, sem essa bola toda.

A Espanha é um país fascinante, terra de mestres criadores, de artistas, e de um tocante espírito de conservação de seu passado. Vive, nos últimos 3 ou 4 anos, dificuldades econômicas depois de um ciclo de forte desenvolvimento na virada dos 2000, impulsionada pelo caminhão de recursos que a criação da Comunidade Europeia espalhou na região. Coisas da conjuntura de um tempo, não muito distante, no qual se discutia pelo mundo, inclusive no Brasil, a formatação dos blocos econômicos, o fim das fronteiras, o terceiro milênio.

Hoje, a chamada Zona do Euro vive agudamente suas contradições, apertada pela onda internacional de queda de consumo, de investimentos,  de confiança. Tempos instáveis no Velho Mundo (assim como na América).

Navegando nestas águas agitadas, a terra de Cervantes, Velázquez, Gaudí, luta para se unir em torno de uma ideia de reconstrução e retomada. E neste verão calorento aproveita para se refrescar um pouco com Iniesta, Xabi Alonso e Casillas, a rapaziada que veste vermelho e amarelo e também marca o próprio tempo com arte e estilo.

Dentro do campo, o time espanhol é um espetáculo. Joga ao estilo Barça, uma das maravilhas dos últimos anos no cenário esportivo mundial. Mesmo craques do Real Madrid rezam o terço de “El Señor Pep Guardiola”, o homem que deixou o time para entrar na galeria dos imortais da bola como treinador por ter comandado a fantástica equipe catalã.

Passeando pelo lindo Museu do Barcelona, no Camp Nou, encontrei, entre relíquias do clube, fundado em 1899, obras de brasileiros. E curti, com uma pontinha de orgulho, os vídeos de gols fantásticos que fazem parte da história do temido clube da Catalunha.

Ao toque de um dedo na tela de uma mesa “high tech” corre gente grande como Rivaldo, Romário, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Infelizmente, todos boleiros ou em fim de carreira ou já aposentados. Mas seus feitos na Espanha não foram pouca coisa. Como os espanhóis, fizeram arte nos gramados.

Abaixo, uma das maravilhas do Museu Nacional do Prado. “Canto de amor”, de Mariano Benlliure.

Foto: Pablo Pereira

 

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