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Rago, um violão marcante do rádio antigo na web

Pablo Pereira

11 Agosto 2016 | 00h06

O ano exato eu não lembro. Mas foi antes dos meus 14 anos, aí por 1973. Disso eu sei com certeza porque no ano seguinte, na rebeldia da idade, fugi de casa para uma aventura juvenil que mudaria tudo – e nunca mais tive a chance de passar horas no deleite dos programas radiofônicos de final da tarde com a minha mãe. Ela adorava rádio. Não tinha TV. Gostava dos noticiários, das novelas e de música mesmo quando estava atarefada. Cantarolava sozinha pela casa, talvez sonhando com uma vida mais tranquila do que a que viveu, sempre apertada, com muita dificuldade.

Um dos programas de rádio preferidos dela era o de um músico paulista, Antônio Rago, do Bexiga. A gente ouvia nos fins de tarde, acho que aí por volta das 18h, a hora da Ave Maria. Disso também lembro bem. Rago tocava violão e minha mãe pedia silêncio em casa durante o programa. Ela gostava de “Abismo de Rosas”, de “Mentiroso”, um chorinho, de “Jamais te Esquecerei”, e do “Carinhoso”, do mestre Pixinguinha. E explicava sempre que aquele artista tocava com gente de brilho na música brasileira, Orlando Silva, Francisco Alves, Isaurinha Garcia, ouvidos por ela no rádio de pilhas grandes, antigão, às vezes em tom solene.

Muitos anos depois fui ver Rago tocar, ao vivo, com o Paulinho Nogueira no MIS em São Paulo. Foram momentos intensos de lembranças de minha adolescência distante. Outro dia, final de junho, início de julho, fãs de Rago organizaram um show em homenagem ao centenário de nascimento dele, que morreu  em 2008. Perdi esta. Mas sempre que tenho um tempinho, ouço gravações daquelas músicas. Felizmente estão ao alcance de clicks na web.

 

 

 

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