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Política: lições de Machado em 1912!

Pablo Pereira

31 de maio de 2020 | 15h27

“Um povo pode ignorar completamente o que diz respeito à política? Não. O desdém pelos políticos não pode ser transformado em desdém pela política. (…) Isso seria equivalente a colocar o governo nas mãos da inaptidão. Então qual é o problema?”

A questão acima, levantada pelo pensador espanhol Antonio Machado há mais de um século (1912), encerra um artigo dele sobre política e cultura. Como seu contemporâneo Machado brasileiro (1839-1908), o Machado espanhol  (1875-1939) era um homem com clara visão da humanidade, preocupado com a participação política de seu povo, reflexão que deixou em sua obra literária. A Espanha daqueles tempos vivia algo semelhante ao clima que o Brasil e a América experimentam hoje. No caso do Brasil, empobrecido e assolado pela morte na epidemia da covid, é um país que vive sob ameaça de consolidação de um estado autoritário operado por um grupo político que tenta fazer crer que a única solução para a vida nacional está na imposição de uma ordem vertical, extremista, de cima para baixo, ancorada no falso conceito de que os militares são os donos do único bastião da honestidade brasileira. Não são. A sociedade não é assim. Os exemplos são fartos na história.

Pois o escritor espanhol, um libertário, já àquela altura resumia a parada: “O problema político é somente uma fase do grande problema cultural.”

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