Pesquisador da Fiocruz lança livro sobre história do Aedes
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Pesquisador da Fiocruz lança livro sobre história do Aedes

Pablo Pereira

11 Julho 2016 | 14h05

O paulistano entra no elevador e ele pode estar lá, ameaçador. Não é uma sucuri nojenta, um tigre feroz, um elefante irritado ou um tubarão faminto. Nem uma mamãe urso defendendo os filhotes. É um mosquito, o Aedes aegypti.

Mosquito

No Brasil, milhares morrem por causa dele. E outros milhares sofrem para sempre com a microcefalia, que ele provoca ao transmitir o vírus zika. Os números dos efeitos das picadas desse pequeno monstro são atualizados toda semana pelo Ministério da Saúde. São uma tragédia brasileira.

De acordo com relatório semanal do Ministério da Saúde sobre a ocorrência de microcefalia, “até 25 de junho de 2016 (semana 25), 8.165 casos foram notificados, segundo as definições do Protocolo de vigilância (recém-nascido, natimorto, abortamento ou feto). Desses, 3.061 (37,5%) casos permanecem em investigação e 5.104 casos foram investigados e classificados, sendo 1.638 confirmados para microcefalia e/ou alteração do SNC sugestivos de infecção congênita e 3.466 descartados”.

Pois o pesquisador da Fiocruz,  Rodrigo Cesar da Silva Magalhães, vai lançar no dia 21/07, o livro A erradicação do Aedes aegypti: febre amarela, Fred Soper e saúde pública nas Américas (1918-1968). O livro sai pela Editora Fiocruz. O lançamento será coletivo – outros produtores de ciência estarão mostrando seus trabalhos na Blooks Livraria, Praia de Botafogo, 316, no Rio, às 19h.

Magalhães mostra que entre os cientistas batalhadores contra o mosquito está o epidemiologista americano Frederick Lowe Soper (1893-1977), o Fred Soper do título, um dos pais da erradicação do Aedes no Brasil. Em suas campanhas contra os alados vetores de moléstias pelo mundo, Soper usava o veneno DDT, hoje banido por conter efeitos tóxicos para a população.

No auge do uso do DDT no mundo, principalmente por tropas militares americanas, o químico suíço Paul Hermann Muller (1899-1965), que criou o produto para uma empresa suíça, recebeu, em 1948, o Prêmio Nobel de Medicina. Soper levou o produto para as campanhas de saúde pública. Embora tenha tido, nos anos 50/60, grande êxito na política de combate aos mosquitos, salvando milhões em diversos continentes, com a decadência do DDT, porém, Soper foi esquecido. No fim da vida, ele próprio se sentia um fracassado.

O estudo de Magalhães contém também um histórico detalhado da vida do bicho flex da dengue, chikungunya, febre amarela e zika desde a identificação do Aedes no Egito até a erradicação da presença dele no Brasil nos anos 60. Sim, o Brasil já foi território livre desse mal, em grande parte pelos esforços de Soper.

Mas, nos anos 70 o mosquito voltou, se desenvolveu bastante nos anos 80 e 90 e, mais recentemente, provoca arrepios e medo nas periferias brasileiras. O trabalho de pesquisas de Magalhães nos mostra que é possível viver sem o mosquito. Isso já foi feito.

 

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