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Pesquisa: morador do asfalto tem medo de quem vive em favela

Pablo Pereira

11 Fevereiro 2015 | 15h43

Quem conhece a vida nas periferias brasileiras, ou nelas já viveu, sabe bem o tamanho da carga de carências e omissões que as pessoas são forçadas a suportar na existência em favelas. Viver em áreas pobres é difícil não só pela condição em si da baixa renda e da falta de serviços de qualidade e oportunidades. É difícil também porque é preciso, além de tudo, enfrentar o enorme preconceito que vem de quem está de fora.

É o que mostra agora uma pesquisa do Instituto Data Popular, de São Paulo, feita com 3.050 pessoas em 150 cidades brasileiras, que será mostrada no dia 3 de março no 2º Fórum Nova Favela Brasileira, no Instituto Tomie Ohtake.

“Mais da metade dos moradores do asfalto sente medo quando passam em frente a uma favela”, informa o Data Popular. E “47% dos brasileiros nunca contratariam um trabalhador que morasse na favela para trabalhar em sua casa. Já 69% dos moradores do asfalto disseram que sentem medo quando passam em frente a uma favela. Quando perguntados sobre o que pensam quando ouvem a palavra favela, 51% disseram que pensam nas palavras droga e violência”, diz informe do instituto. O presidente do Data Popular, Renato Meirelles, considera perigosa a associação mostrada no estudo sobre morador de favela e violência. “Sabemos que nas favelas moram muitos trabalhadores”, argumenta.

Em tempo: favela é o nome de uma planta das áreas áridas nordestinas. Existe também no Morro da Providência, no Rio, onde foram morar centenas de combatentes abandonados pelo Estado brasileiro quando voltaram da Guerra de Canudos e, sem conseguir o apoio que lhes havia sido prometido, passaram a viver precariamente no morro.

É longa a história do descaso neste país…

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(Texto atualizado às 18h30)

 

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