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Papa Francisco escancara a vergonha brasileira das favelas

Pablo Pereira

25 de julho de 2013 | 14h10

 O discurso do papa Francisco ao visitar favela de Manguinhos, no Rio, marca a viagem ao Brasil com forte posição contra a desigualdade social.

 “…povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Quase parece um palavrão: solidariedade“, diz trecho do discurso feita pela manhã aos moradores de Varginha.

 Em outro trecho:

 “Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu» (Documento de Aparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça.”

O argentino Francisco segue a cartilha cristã com rigor, tomando partido ao lados dos necessitados, como seu grande inspirador, Jesus Cristo. Com isso, parece querer levar a Igreja a uma retomada de princípios. O que em muitos momentos na Igreja já soou como retórica indesejada, esquerdista (para uns); vazia, antiquada, fora de tempo (para outros), agora reaparece com vigor no discurso do novo líder.

Para deixar sua marca bem clara, o papa foi a uma favela do Rio. A visita escancara a vergonha brasileira de permitir que milhões de famílias passem a vida em favelas.

A trajetória de vida religiosa de Francisco já o levou muitas vezes a ambientes de abandono como aquele que ele viu no Rio. Ao visitar aquela família em casa pobre de Varginha, nesta sua primeira viagem internacional, Francisco quer mostrar aos moradores que a Igreja se importa com eles.

Mas mostra também outra coisa: lembra aos governantes brasileiros que um outro papa, João Paulo 2º, fez a mesma coisa. Em julho de 1980, ele foi a uma favela, a do Vidigal. Pois, 33 anos depois, desgraçadamente, nem com a vinda de um papa o quadro mudou.  Milhões de brasileiros continuam favelados.

Aposto um cafezinho que nos contatos com Francisco, nem o prefeito do Rio, Eduardo Paes, nem o governador fluminense Sérgio Cabral (que posam de anfitriões), nem o governador paulista Geraldo Alckmin (que foi à missa de Aparecida), e muito menos a presidenta Dilma Rousseff  (que recebeu o papa no primeiro dia) pediram-lhe perdão por governarem por anos e anos os orçamentos públicos, gastando dinheiro arrecadado de impostos, sem uma solução para o flagelo das favelas.

 “Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais!”, disse o papa.

 Estaria Francisco, repetindo João Paulo 2º,  pregando no deserto?

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