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O sufoco do anfitrião e os visitantes da Copa

Pablo Pereira

01 Julho 2014 | 16h20

Outro dia, voltando do Aeroporto de Guarulhos com dois jovens irlandeses fanáticos por futebol tive de explicar a aparência e o mau cheiro da Marginal do Tietê. O fedor subia da água podre e preta do esgotão a céu aberto que atravessa a cidade de lado a lado. Expliquei aos amigos visitantes que havia anos aquele buraco preto consumia recursos públicos etc etc; que há uma seca na região, o que agrava a coisa toda; e que o povo daqui até já se acostumou com a absurda sujeira. Passamos pelo rio morto sem olhar muito para ele para não nos aborrecer demais. Contei que é um rio paulista, que nasce limpinho, e patati, patatá.

Eles ficaram ouvindo, quietos. Ao final da “explicação” sobre o inexplicável, lamentaram. Eles vivem em Vancouver, no Canadá, cidade que é modelo de vida urbana, que desfruta de um respeito encantador pelos recursos naturais, pela vida ao ar livre, é padrão de urbanidade, de cidadania.

Pronto. Nossos amigos já haviam sido apresentados a um dos diversos fracassos brasileiros: um rico rio que morre ao entrar na cidade  e se arrasta, podre, por toda a área urbana, emporcalhando o ar com sua carga de lodo fétido. Coisa de envergonhar anfitrião. Um escândalo!

Ficamos todos em silêncio por um tempo. Eles vieram atraídos pela Copa do Mundo, pelo espetáculo da bola. Nunca tinham vindo à “South America”. Confessaram estar também preocupados com os protestos nas ruas. Fiquei sabendo, então, que até a mãe de um deles havia recomendado cuidados nos passeios. Falei um pouco dos motivos das manifestações, do tamanho da dívida social brasileira, das insatisfações, das desigualdades, do déficit de moradias, da falta de segurança pública, essas coisas que enchem as nossas ruas de indignação. Mas o papo estava ficando pesado demais.

Aí, lembrei: “Vocês não podem deixar de visitar o Museu do Futebol”, disse-lhes. Um quis saber sobre os estádios da Copa. E perguntou também sobre outros museus de São Paulo. Fui salvo pela curiosidade do irlandês. Passamos a falar do Masp, do MAC, da Pinacoteca…

Ufa!

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