“O mosquito está vencendo a batalha”, diz pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP
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“O mosquito está vencendo a batalha”, diz pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP

Pablo Pereira

17 de maio de 2015 | 00h19

A dengue assunta nesta temporada. O frio está chegando a São Paulo e os especialistas no tema dizem que a tendência é de uma queda no número de casos de contaminação, recorde segundo dados oficiais. Mas baixar a guarda para o mosquito, nem pensar. Ovos do Aedes aegypti podem ficar mais de 400 dias à espera de uma chuva. A ameaça permanece!

Enquanto dezenas de cientistas se movimentam em seus laboratórios em busca de uma vacina salvadora, como mostra reportagem do O Estado de S.Paulo neste domingo, 17/05, a ordem é manter a caça ao bicho, seja ele adulto, ovo ou larva. É o que diz o entomologista Paulo Urbinatti, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Urbinatti, que há três décadas trabalha com o mosquito da dengue, afirma que a vigilância da população é fundamental para o controle da doença. Segundo ele, desta vez “o mosquito está vencendo a batalha”. Veja a entrevista.

 

Para ver a reportagem publicada neste domingo 17/05 no O Estado de S.Paulo clique em 

Documento

 

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Abaixo, a íntegra de uma outra entrevista concedida ao Estado, na última quinta-feira, 14. É a opinião do professor de história Rodrigo Cesar da Silva Magalhães, doutor em história da Ciência e da Saúde pela Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, um especialista na evolução das campanhas contra o mosquito. Veja também os principais fatos em mais de dois séculos de conhecimento da ciência do mosquito transmissor da dengue. E uma relação completa dos 12 estudos científicos, com seus pesquisadores, que estão sendo feitos da USP, com apoio da Fapesp, sobre o Aedes aegypti e suas moléstias.

Entrevista – Rodrigo Cesar da Silva Magalhães, doutor em história da Ciência e da Saúde pela Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz

‘Faltam vontade política e investimentos’ para o combate à dengue, diz historiador 

O Brasil desmontou uma estrutura de ponta de combate ao mosquito da dengue, construída no passado por gente como os médicos Emílio Ribas e Adolpho Lutz, o homem que foi até cobaia do Aedes aegypti, na luta contra a febre amarela. Na batalha, o inseto vetor chegou a estar erradicado do País entre os anos 1958 e 1967. Hoje, as campanhas oficiais do governo repassam a responsabilidade do combate da dengue à população, que sofre com epidemias cada vez maiores. A avaliação é de Rodrigo Cesar da Silva Magalhães, doutor em história da Ciência e da Saúde pela Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, autor da tese “A campanha continental para a erradicação do Aedes aegypti da OPAS e a cooperação internacional em saúde nas Américas (1918-1968)”, concluída em 2013 e premiada como melhor tese de 2014 pela Sociedade Brasileira de História das Ciências (SBHC). Professor de história no Colégio Pedro 2º, no Rio, o especialista, que pesquisou o tema também nos EUA, acrescenta: “Faltam vontade política e investimentos para que a guerra contra a dengue seja vencida”. Abaixo, a integra da entrevista.

O seu estudo conta que o Brasil já esteve livre do Aedes aegypti. Como se conseguiu isso e quando ocorreu?

Sim. Em 1958, durante a XV Conferência Sanitária Pan-Americana, realizada em San Juan, Porto Rico, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) declarou o Brasil livre do Aedes aegypti. Nos nove anos seguintes, o inseto não foi encontrado no território brasileiro, até reaparecer em Belém, em 1967. Esta conquista do campo médico-sanitário nacional foi resultado de campanhas contra a febre amarela desenvolvidas do País desde as primeiras décadas do século 20 e que, a partir dos anos 1920, contaram com a participação da Divisão de Saúde Internacional da Fundação Rockefeller, que em 1918 havia lançado uma campanha mundial de erradicação da doença.

Qual foi o método usado para a erradicação do mosquito?

O passo decisivo para a erradicação do vetor da febre amarela do Brasil foi dado em 1947. Por sugestão do governo brasileiro, a OPAS lançou a Campanha Continental para a Erradicação do Aedes aegypti. O objetivo era erradicar o mosquito das Américas. Foi no âmbito da campanha, uma articulação inédita das Repúblicas americanas para combater conjuntamente um problema sanitário que as afetava, que o Brasil e outras dez nações do continente foram declarados livres do Aedes aegypti em 1958. O lançamento da campanha foi precedido por décadas de combate ao mosquito em diversos países das Américas. No Brasil, as primeiras campanhas verticais contra doenças específicas, centradas na eliminação dos insetos vetores, datam do começo do século 20. Interessante notarmos que os paulistas tiveram um papel pioneiro neste processo. Em 1901, Emílio Ribas, então Diretor do Serviço Sanitário de São Paulo, determinou que o combate às larvas do mosquito fosse incluído entre as medidas de profilaxia da doença. Entre 1901 e 1903, ele e Adolpho Lutz lideraram uma campanha contra o inseto no estado. Em 1903 foi a vez de Oswaldo Cruz, na época diretor do Departamento Geral de Saúde Pública (DGSP), iniciar a implementação de um amplo programa de saneamento do Rio de Janeiro, que tinha a febre amarela como um dos alvos. O método empregado contra a doença foi a eliminação do seu vetor. Tais campanhas tiveram êxito em livrar as duas cidades da febre amarela por períodos prolongados de tempo, mas a doença sempre reaparecia. A epidemia de 1928-1929 no Rio é o exemplo mais dramático desta realidade. Em 1932, médicos norte-americanos e brasileiros empreenderam uma expedição ao Vale do Canaã, uma região do Espírito Santo onde eclodiu uma epidemia da doença sem que o Aedes aegypti fosse encontrado. Estudos realizados a partir de então concluíram que algumas espécies de macacos que habitavam as florestas das Américas eram um reservatório natural de vírus e que a eliminação da doença era inviável. Neste momento, as atividades de combate à febre amarela se dividiram: vacinação das populações das áreas rurais e o combate ao Aedes aegypti nas cidades. A Campanha Continental foi baseada na erradicação do Aedes aegypti. Este foi o método que levou à erradicação da espécie do Brasil e de outros dez países das Américas em 1958. Havia um entendimento de que a erradicação era o único método capaz de impedir a eclosão de epidemias urbanas da doença e que tal tarefa deveria ser empreendida em conjunto pelos países do continente, pois de nada adiantaria que apenas alguns deles erradicassem o mosquito. Haveria sempre a possibilidade de uma reinfestação a partir do território dos países vizinhos. Para o Brasil, essa preocupação era mais urgente, já que o país faz fronteira com dez nações da América do Sul. Tais fatos nos ajudam a entender a proposição de uma Campanha Continental para a Erradicação do Aedes aegypti e o papel de destaque desempenhado pelo Brasil em sua formulação e implementação.

Hoje usamos técnicas de combate do mosquito da metade do século passado, ou seja, o combate às larvas. A ciência não consegue resolver a questão ou o que falta é investimento em pesquisa e interesse do poder público?

Existem alguns problemas para se implementar a erradicação do mosquito atualmente. Por exemplo: como conjugar as atividades de erradicação como os pressupostos de uma sociedade democrática? Como obrigar as pessoas a abrirem as suas residências para os agentes sanitários, sem incorrer em atitudes ou leis autoritárias? O convencimento seria um caminho, mas o poder público tem investido em campanhas de conscientização da população? E mesmo que haja essa preocupação, como lidar com a resistência do cidadão que não quer franquear a sua casa aos agentes de saúde? Além destas questões, existe também a resistência de algumas categorias profissionais à ideia de erradicação, com argumentos que variam da suposta ineficácia de tal método até aqueles de ordem ecológica. A Campanha Continental se deparou com estas questões nos anos 1960, quando começou a ser implementada nos Estados Unidos. Muitas delas, inclusive, contribuíram para o seu enfraquecimento e posterior abandono. Com relação aos cientistas, eles vem tentando resolver a questão. No ano passado, por exemplo, a Fiocruz deu início a uma etapa do projeto ‘Eliminar a Dengue: Desafio Brasil’. Foram liberados na localidade de Tubiacanga, no bairro da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que tem a capacidade de reduzir a transmissão do vírus da dengue pelo mosquito. Trata-se de uma iniciativa que procura combater a dengue de forma natural e sustentável. A bactéria é transmitida naturalmente para as gerações futuras de mosquitos. O projeto, conduzido sob a liderança do pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, recoloca o Brasil na dianteira das atividades de combate à doença. É necessário que mais investimentos em pesquisas como essa sejam feitos pelo poder público. E que haja vontade política de realmente combater a enfermidade. O que existe hoje, em São Paulo, inclusive, é o que considero uma delegação de responsabilidades. O governo responsabiliza a população pelo combate à dengue. Cabe a população combater os criadouros do mosquito em suas residências, eliminando possíveis reservatórios de água parada. Isso é importante? Óbvio que sim, mas o poder público também tem que fazer a sua parte, seja investindo em pesquisas, seja empreendo ações de prevenção e combate às epidemias. Tais ações têm que abarcar necessariamente investimentos maciços em saneamento básico e urbanização. Parece que a população é que é culpada pela eclosão de epidemias de dengue, quando na verdade a redução de investimentos na área da saúde, a extinção de órgãos sanitários e falta de vontade política também contribuem, e muito, para as recentes epidemias de dengue.

Por que há tanta resistência dos cientistas ao uso dos inseticidas no combate do vetor?

A questão dos inseticidas é polêmica desde o início. O DDT foi utilizado indiscriminadamente durante a Segunda Guerra Mundial e só décadas mais tarde apareceram os primeiros estudos sobre os riscos que ele trazia para o meio ambiente e a saúde humana. Existe essa questão do inseticida, toda a discussão que os cerca, mas existe também muita resistência à ideia de que o combate à doença deve se basear apenas na eliminação do vetor. Existe toda uma preocupação com questões de saneamento básico, coleta de lixo, urbanização, construção de sistemas de água e esgoto que extrapola a questão da simples aplicação do inseticida. O poder público coloca a questão dos inseticidas como se fosse a solução para as epidemias, deixando as demais questões em segundo plano, ou seja, fugindo de suas responsabilidades. Os inseticidas podem ser importantes no combate às epidemias, mas suas causas são mais profundas. A polêmica em torno dos inseticidas funciona como uma cortina de fumaça para esconder o descaso do poder público com questões que são de sua responsabilidade. Acredito que grande parte dos cientistas esteja ciente dessa situação e se recusa a endossar a ideia de que a simples aplicação de inseticidas seja a solução para as epidemias de dengue.

Na sua opinião, o mais acertado é o combate ao vetor ou o combate à doença?

O combate ao vetor é importante, pois sem ele não há a transmissão da doença. Mas tal medida deve ser acompanhada por investimentos em urbanização, coleta de lixo, melhorias no sistema de fornecimento de água e na construção de rede de esgotos, enfim, na montagem de toda uma estrutura sanitária que dificulte a proliferação do mosquito. O combate à doença deve ser permanente e não apenas em momentos agudos de epidemias. É preciso que se reconstrua todo um sistema de vigilância epidemiológica que seja capaz de prevenir as epidemias. O poder público tem que se concentrar nas causas da epidemia, naqueles fatores que contribuem para a alta densidade de mosquitos em algumas localidades.

A dengue voltou com força no país nos últimos anos. Como o senhor analisa o atual combate ao mosquito transmissor?

Em virtude do desmonte da estrutura permanente de combate à dengue e vigilância epidemiológica nas últimas décadas, o combate ao mosquito transmissor só é realizado quando eclodem as epidemias. Ou seja, apenas quando a situação assume um certo grau de gravidade é que surge a preocupação em combater o inseto. O ideal seria que as atividades de combate ao mosquito fossem permanentes e acompanhadas das medidas de saneamento básico e urbanização citadas anteriormente.

Há especialistas que dizem que o mosquito venceu a guerra. Vamos continuar a ver o mosquito infectando e matando por muito tempo? O senhor concorda que o mosquito venceu?

Não sei se o mosquito venceu a guerra ou se o poder público é que ainda não entrou nela. O que a História mostra é que quando o mosquito foi combatido intransigentemente entre as décadas de 1930 e 1950 os resultados apareceram. O que aconteceu foi que desde os anos 1960, ainda no período militar, o governo brasileiro empreendeu um desmonte da estrutura sanitária montada para o combate ao mosquito desde os anos 1920. Os resultados negativos não tardaram a aparecer, com a reinfestação do país pelo Aedes aegypti em 1967 e as epidemias de dengue dos anos 1970 e 1980. Enquanto não houver vontade política por parte do poder público e investimentos em pesquisa, saneamento, urbanização e atividades permanentes de combate ao mosquito, infelizmente ele continuará matando. Temos toda uma história de combate ao Aedes aegypti, pesquisadores altamente capacitados para lidar com o problema e instituições de ponta como a Fiocruz que realizam pesquisas pioneiras na área. A questão é que o combate à dengue deve ser uma prioridade para as esferas federal, estadual e municipal. Faltam vontade política e investimentos para que a guerra contra a dengue seja vencida.

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Abaixo, os principais fatos relativos ao combate do principal vetor de transmissão da dengue

1762 – Descrito pela primeira vez o mosquito Aedes aegypti, então denominado Culex aegypti. O nome definitivo, Aedes aegypti, foi estabelecido em 1818, após a descrição do gênero Aedes. Mas há textos, até os anos 1920, que o nomeiam também como Stegomya fasciata.

1779 – David Bylon descreve surto de dengue em Java. Por muitos anos seria conhecida como febre quebra-ossos.

1787 – Britânico Benjamin Moseley aborda “doenças tropicais” no estudo Treatise on Tropical Diseases and on the Climate of the West Indies.

1879 –  Britânico Patrick Manson, estudando o parasito da filariose descobre que os mosquitos tinham um papel fundamental na transmissão da doença. Surgem as expressões “hospedeiros intermediários” (inseto) e “hospedeiro definitivo” (humanos). É considerado o pai da medicina tropical.

1881 – Médico cubano Carlos Finlay propõe a hipótese de que a febre amarela era causada por um germe que passava por transformações fora do corpo humano, no mosquito Culex, antes de infectar o homem.

1894 – Manson propõe que, como no caso da filariose, um mosquito ou outro inseto hematófago extraía o parasito da malária do sangue humano.

1898 – Britânico Ronald Ross (funcionário do Indian Medical Service) desvenda o ciclo do parasito da malária das aves nos mosquitos do gênero Culex, seguindo a trilha da hipótese de Manson.

1901 – Médico militar americano Walter Reed confirma, em Congresso Panamericano, em Havana, a tese do cubano Carlos Finlay sobre a presença do mosquito no ciclo de contaminação.

1901 – General americano William C. Gorgas lidera em Havana a primeira campanha antimosquito, atacando larvas em água parada e colocando mosquiteiros para isolar doentes de febre amarela.

1901 – O brasileiro Emílio Ribas lidera campanha de combate às larvas de mosquito transmissões da febre amarela.

1903 – Os brasileiros Emílio Ribas e Adolpho Lutz lideram nova campanha em São Paulo. No Rio, as brigadas sanitárias de Oswaldo Cruz atacam varíola, peste bubônica e a febre amarela. Adolpho Lutz se oferece como cobaia para comprovar a contaminação da febre amarela pelo mosquito.

1905 – Americano Joseph H. White lidera campanha contra a febre amarela em Nova Orleans.

1908 – Antonio Gonçalves Peryassú, pesquisador do então Instituto Soroterápico Federal, que ganharia o nome de Instituto Oswaldo Cruz (IOC) no mesmo ano, fez descobertas sobre o ciclo de vida, os hábitos e a biologia do Aedes aegypti.

1911 – Sucesso das campanhas leva Gorgas a falar em desaparecimento da febre amarela.

1913 – Criada no dia 14 de maio, em Nova Iorque, a Fundação Rockefeller, entidade filantrópica mantida pelo magnata do petróleo John D. Rockefeller.

1915 – Fundação Rockefeller recruta o general Gorgas para meta de erradicar a febre amarela das Américas.

1916 – Criada a Campanha Mundial de Erradicação da Febre Amarela da Fundação Rockefeller. O lançamento da Campanha ocorre em 1918. Novas campanhas contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença,  serão feitas nos anos 20,  30 e 40. Fundação Rockefeller promove campanhas também contra a ancilostomíase (1916-1925) e malária (1938-1942). São Paulo registra casos de suspeita de dengue, embora sem confirmação laboratorial.

1927 – Geraldo Horácio de Paula Souza assume a função de técnico da Seção de Higiene da Liga das Nações. Desta data até 1929, o médico brasileiro visitou diversos países da Europa e do Norte da África, dedicando-se principalmente ao diagnóstico e ao combate à febre amarela e à malária.

1932 – Descoberta da febre amarela silvestre no Vale do Canaã, no Espírito Santo.

1934 – O americano Fred Soper apresenta em Buenos Aires a ideia do combate continental da febre amarela. Soper ficou conhecido como o arquiteto  da erradicação do Aedes aegypti.

1937 – Max Theiler, da Fundação Rockefeller, descobre a vacina contra a febre amarela, que vinha sendo estudada desde 1931. Theiler, Hugh Smith e outros pesquisadores desenvolveram um vírus atenuado e seguro da febre amarela a partir de uma cepa que eles chamaram de 17D.

1940 – Criado no Brasil o Serviço Nacional de Febre Amarela (SNFA).

1941 – O médico boliviano Nemésio Torres Muñoz, diretor do Serviço de Febre Amarela da Bolívia, escreve carta para Fred Soper, com cópia para Lewis W. Hackett, chefe do recém criado Escritório Regional da FR para o Rio da Prata e Região Andina, com sede em Buenos Aires, propondo a erradicação continental do Aedes aegypti. Mas a ideia não avança.

1943 – Fred Soper lidera na Europa campanhas contra o mosquito anopheles, transmissor da malária.

1944 – Albert Sabin isola e identifica o vírus da dengue.

1947 – Brasileiro Heitor Praguer Fróes é nomeado diretor do Departamento Nacional de Saúde (DNS). Fróes propõe e articula a implantação da campanha para a erradicação do Aedes aegypti das Américas.

1947 – Campanha Continental para a Erradicação do Aedes aegypti é liderada pela Organização Sanitária Pan-Americana, que, em 1958, passaria a ser chamar Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), dirigida pelo americano Fred Soper. Base é a aplicação do inseticida DDT, com fumigações.

1958 – O Brasil e mais 10 países do continente são declarados livres do Aedes aegypti na 15ª Conferência Sanitária Pan-Americana, em San Juan, Porto Rico. Eleito novo diretos da OPAS, o chileno Abraham Horwitz, substitui Soper. Horwitz muda a orientação de programas verticais, como as campanhas de erradicação de Soper. Horwitz defende que as condições sanitárias de um determinado país ou região dependem do nível de desenvolvimento alcançado por ela.

1961 – Vários países da América Latina e do Caribe são certificados como livres do Aedes aegypti, tais como: Brasil, Bolívia, Honduras, a zona do Canal do Panamá, Chile, Costa Rica, Guiana Francesa, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai. O programa de erradicação também encontrava-se bem avançado na Colômbia, na Argentina e no México.

1963 – Em mensagem de 7 de fevereiro ao Congresso dos EUA, o presidente John F. Kennedy trata do problema da febre amarela nas Américas e da Campanha Continental de Erradicação do mosquito, adiantando que a proposta de orçamento do governo federal para o ano de 1964 previa a alocação de fundos para o início das atividades de erradicação do mosquito no país.

1963 – O senador democrata William Proxmire, do estado de Wiscosin, propõe corte do orçamento das despesas do programa de erradicação do Aedes aegypti dos Estados Unidos, de Porto Rico e Ilhas Virgens. O senador argumenta que a febre amarela não existia nos Estados Unidos e que, por este motivo, ela não se constituía em um problema de saúde pública para o país.

1966 – Em Washington, Miguel Bustamante, Subsecretário de Saúde e Assistência do México, pressiona o governo norte-americano, acusando-o de não estar cumprindo com as suas obrigações concernentes à Campanha Continental de Erradicação do Aedes. O México sofria ameaça de reinfestação do mosquito.

1967 – A campanha continental sofre duro golpe quando Brasil reporta à Organização a reinfestação de seu território pelo Aedes aegypti, depois de 9 anos livre do inseto. O mosquito havia sido encontrado na cidade de Belém, na região norte, o que confirmava suspeitas de que a espécie estava se deslocando do norte para o sul do continente, reinfestando, pelo caminho, uma série de países que já tinham conseguido erradicá-la. Tal constatação intensificou as acusações das Repúblicas americanas de que os Estados Unidos não estavam honrando o compromisso de erradicar o Aedes aegypti de seu território e que, por este motivo, o país se constituía no principal foco de reinfestação de todo o continente.

1968 – O Programa de Erradicação do Aedes aegypti dos Estados Unidos é transferido para a Administração de Controle do Meio, do Departamento de Proteção do Consumidor e de Higiene Ambiental. A direção da agência, no entanto, jamais foi uma entusiasta do programa, abandonado sem maiores arrependimentos.

1969 – Cirurgião-Geral do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, William H. Stewart, comunica à direção da OPAS que o Programa de Erradicação do Aedes aegypti nos Estados Unidos seria encerrado, sem planos para retomá-lo.

1972 – O veneno DDT (Dicloro – difenil – tricloroetano) é proibido nos EUA. Nascem a ideia de atenção primária à saúde e a noção de “saúde para todos no ano 2000”. A necessidade de uma redistribuição e recursos de assistência básicos influencia as condições de saúde nos países em desenvolvimento e provoca a ruptura em relação às iniciativas anteriores. O mosquito Aedes aegypti se alastra no continente. Surgem epidemias brasileiras de dengue.

1976 – Dengue está presente em diversos locais do Brasil.

1981 – Dengue reaparece com força, mais de 10 mil casos, em Boa Vista, Roraima.

1986 – Epidemia com mais de 1 milhão de casos de dengue no Rio.

1987 – Dengue aparece nos municípios de Guararapes e Araçatuba, em São Paulo.

1991 – Dengue se instala em 59 municípios de São Paulo.

2002 – Epidemias atingem Rio e Niterói e há registros de casos nos estados de São Paulo, Bahia, Ceará, Goiás e Amazonas.

2014 – Na França, a empresa Sanofi Pasteur anuncia a publicação de resultados de estudo da fase 3 da vacina contra a dengue em 5 países da Ásia com eficácia de 56,5% em crianças de 2 a 14 anos após vacinação em três doses.

2015 – Infestação de mosquitos Aedes atinge índices alarmantes. Números de infectados por dengue é recorde no País, principalmente em São Paulo, provocando mortes de crianças e idosos. Cientistas orientam ações do poder público no que chamam de “controle integrado” do mosquito e tentam descobrir formas de evitar a espécie com mosquito transgênico e reversão sexual. Instituto Butantã e Fiocruz trabalham em testes com vacina. Butantã aguarda autorização para a fase 3 (testes clínicos) da vacina tetravalente de dose única. A partir de agosto, 17 mil pessoas devem ser vacinadas na fase 3. A previsão é a de que a vacina do Butantã esteja pronta para 2017/2018. Nas casas infestadas pelo Aedes aegypti, técnicos da saúde combatem criadouros pelo modelo do início do século 20, com larvicidas, e ajuda da população.

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Fonte: Fiocruz, MAGALHÃES, Rodrigo Cesar da Silva. 

Documento

. Tese (Doutorado em História das Ciências e da Saúde) – Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, Rio de Janeiro, 2013, Ministério da Saúde, Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo

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A seguir, a lista dos projetos de pesquisa sobre dengue da USP/Fapesp.

Projetos de Pesquisa na área de dengue desenvolvidos na USP com suporte da Fapesp (resumos fornecidos pelos pesquisadores)

1. Rede de Diversidade Genética de Vírus (VIRGEN), selecionado para Laboratório L3: projeto: estudos com Hantavírus e vírus da dengue

Pesquisador Responsável: Luiz Tadeu Moraes Figueiredo

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Regular

Vigência: 01/12/02 a 31/03/07

Resumo: Pretende-se com este trabalho capturar roedores silvestres no campo e obter materiais clínicos de pacientes com Síndrome Pulmonar por Hantavírus. Utilizando a Unidade Laboratorial de Segurança de Nível 3 pretendemos isolar Hantavírus infectando os animais ou presentes nos materiais clínicos. Em seguida, dos vírus isolados pretende-se sequenciar os nucleotídeos de seus genomas visando ao estudo da epidemiologia molecular e a produção de proteínas virais antigênicas recombinantes visando ao seu uso em métodos diagnósticos e ao teste como vacinas. Quanto aos vírus da dengue, pretende-se genotipar os vírus em pacientes e mosquitos oriundos do Estado de São Paulo e, eventualmente, de outras regiões do Brasil. (AU)

2. Mosquitos geneticamente modificados: possíveis aplicações no controle da transmissão de malária e dengue

Pesquisador Responsável: Margareth de Lara Capurro Guimarães

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Ciências Biomédicas (ICB)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Apoio a Jovens Pesquisadores

Vigência: 01/06/01 a 31/03/06

Resumo: Estamos trabalhando com a hipótese de que mosquitos geneticamente manipulados podem ser utilizados no bloqueio ou na redução da transmissão de doenças transmitidas pelos mesmos. O objetivo desta estratégia é aumentar a frequência, em uma população de mosquitos, de um gene que interfira no desenvolvimento ou na propagação das enfermidades. Como resultado espera-se a redução ou eliminação da transmissão dos patógenos ao hospedeiro humano. Utilizaremos ferramentas de biologia molecular na síntese de genes que quando incorporados no genoma do mosquito resultarão em mosquitos refratários e/ou não transmissores dos patógenos. O projeto apresentado tem os seguintes objetivos gerais: 1) clonagem e caracterização de genes expressos em corpos gordurosos de Aedes aegypti, Anopheles aquasalis e Anopheles darlingi, assim como de suas regiões promotoras e regulatórias; 2) análise e caracterização de proteínas de hemolinfa de Ae. aegypti, An. aquasalis e An. darlingi que possam interferir na interação parasita-hospedeiro; 3) obtenção de anticorpos recombinantes com atividade de bloqueio da transmissão de malária humana; 4) modelagem de anticorpos recombinantes com atividade de bloqueio da transmissão da dengue. (AU)

3. Estudos sobre arboviroses e viroses associadas a roedores

Pesquisador Responsável: Luiz Tadeu Moraes Figueiredo

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Temático

Vigência: 01/02/04 a 31/07/08

Resumo: Este projeto temático inclui 13 subprojetos de pesquisa que visam obter informações relevantes sobre arbovírus e vírus associados a roedores causadores de doenças importantes que ocorrem no Brasil, na maioria  emergentes. Tem duração de 4 anos. O flavivírus do dengue tipo 1 foi introduzido em 1986 no Rio de Janeiro e espalhou-se pelo Brasil causando gigantescas epidemias. Em 1991, o vírus do dengue tipo 2 produziu grande surto no Rio de Janeiro onde começou-se a observar casos de dengue hemorrágico/síndrome de choque do dengue (DHF/DSS). O dengue tornou-se endêmico com os 2 tipos circulando em cidades infestadas por Aedes aegypti. A partir de 1998, centenas de milhares de casos de dengue vem sendo notificados todo ano e ocorrências de DHF/DSS surgem de forma crescente. Em 2001, o dengue tipo 3 foi introduzido no Rio de Janeiro, mais de 800000 casos foram notificados em 2002 e houveram centenas de ocorrências de DHF/DSS com cerca de 100 óbitos, prenunciando endemia nos moldes asiáticos com múltiplos sorotipos circulando e DHF /DSS como gravíssimo problema de saúde pública. Como parte deste projeto temático pretende-se: desenvolver e/ou aperfeiçoar métodos de biologia molecular para o diagnóstico do dengue, estudar a patogenia das infecções por estes vírus, bem como alterações genômicas virais associadas a maior gravidade de infecção. A febre amarela sob forma silvestre, associa-se a uma zoonose de primatas transmitida por mosquitos Haemagoggus que vem expandindo suas epizootias pelo Brasil. Nos últimos 4 anos, dezenas de casos graves de febre amarela, na maioria fatais, vem sendo descritos próximos às regiões densamente povoadas de Brasília, Goiânia e Belo Horizonte e, inclusive, atingindo o norte do Estado de São Paulo. A febre amarela ameaça o país com sua urbanização já que as cidades estão infestadas pelo vetor Aedes aegypti. A vacina anti-amarílica 17DD de vírus atenuado, altamente imunogênica, vem evitando esta urbanização. Porém, raros casos fatais associados à vacina podem limitar seu uso. Neste projeto, pretende-se estudar a estrutura da RNA polimerase (NS5) do vírus amarílico, enzima fundamental ao seu processo replicativo e cujo conhecimento da estrutura permitiria entender seu mecanismo funcional e desenvolver drogas antivírus. O Orthobunyaviros Oropouche, segundo arbovírus em número de casos no Brasil, causa grandes surtos de doença febril aguda e alguns casos de encefalite em cidades e vilas ribeirinhas dos rios amazônicos. O vírus adaptou-se a ciclo urbano envolvendo o mosquito Culicoides paraensis como vetor e o homem como reservatório. Supõe-se que 500.000 brasileiros tenham se infectado com Oropouche nas últimas décadas. Neste projeto pretende-se: testar drogas contra Oropouche visando descobrir terapêutica específica, caracterizar um modelo de infecção experimental em hamster, estudar a propagação do vírus em culturas celulares, investigar mecanismos biológicos envolvidos no seu ciclo replicativo e criar cepa viral termo-sensível para o desenvolvimento de vacina. Os Hantavírus, vírus associados a roedores, causam a Síndrome Pulmonar e Cardiovascular (SPCVH) descrita no país em 1993, e que já tem 240 casos notificados, com letalidade de 40%. Estudando 14 destes casos, observamos inicialmente febre, mialgia e astenia e após 3 a 5 dias, a doença evolui com tosse seca, que posteriormente toma-se produtiva e dispneia que progride para franca insuficiência respiratória, culminando com choque cardiocirculatório. Observamos hipoxemia, elevação do hematócrito e plaquetopenia. Também, desenvolvemos sensível RT-PCR diagnóstica para Hantavírus e analisando o sangue de pacientes com SPCVH pudemos detectar genoma viral em 11 casos. Sequências nucleotídicas dos amplicons da RT-PCR exibiram alta homologia com a do Hantavírus Araraquara (96,5 a 87,7%), mostrando que nossos casos foram causados por este vírus. Ainda realizamos em 2001 estudo sorológico sobre hantavirose no Município de Jardinópolis que teve 818 participantes e destes, 14,3% apresentavam anticorpos igg para o Hantavírus Andes detectados por ELISA. Não se associaram soropositivos a sexo, idade, referência a contato com roedores e antecedente de pneumonia grave. Estes resultados fazem-nos supor que infecções por Hantavírus sejam frequentes em nosso meio e que poderiam coexistir mais de um Hantavírus causando infecções humanas de menor gravidade na região. Também, supomos ser rara a SPCVH e determinada por fator, talvez genético, presente em minoria de indivíduos no contingente de infectados. Neste projeto, pretende-se: buscar ativamente por infecções benignas por Hantavírus analisando a doença e o vírus causador, estudar a patogenia da SPCVH analisando citocinas e marcadores genéticos de pacientes, produzir proteína N recombinante do vírus Araraquara para uso em diagnóstico sorológico e como candidata a vacina e estudar a interação Hantavírus-célula. Este projeto de pesquisa temático deverá subsidiar linhas de pesquisa principais dos virologistas da FMRP-USP agregados no prédio recém-construído da nova Unidade Multidepartamental de Pesquisa em Virologia. (AU)

4. Estratégias vacinais voltadas para o controle da dengue baseadas em proteínas recombinantes e adjuvantes de natureza microbiana

Pesquisador Responsável: Luis Carlos de Souza Ferreira

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Ciências Biomédicas (ICB)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Regular

Vigência: 01/07/12 a 31/12/14

Resumo: O presente projeto tem como objetivo pesquisar a eficácia protetora em condições experimentais de vacinas de subunidades voltadas para o controle da dengue. O trabalho a ser desenvolvido prevê a produção de diferentes proteínas do vírus dengue sorotipo 2 (DENV2) (domínio III da proteína, proteína NS1 e domínio helicase da NS3) em sistema de expressão procariótíco (Eschenchia coli) e eucariótico (células de inseto e baculovírus) e a elaboração de formulações vacinais em combinação com diferentes adjuvantes, com ênfase em derivados atóxicos da toxina termo-lábil (LT) produzida por linhagens de Eschenchia coli enterotoxigênica (ETEC). O trabalho prevê também a validação de um novo modelo murino de infecção pelo DENV2, a partir de um isolado viral de origem humana naturalmente letal para camundongos, estabelecido recentemente no laboratório onde o projeto será desenvolvido. O projeto proposto engloba ainda, análises de parâmetros imunológicos que se correlacionem com a proteção frente a infecção pelo DENV2 em modelo murino, particularmente, a geração de anticorpos e linfócitos T específicos. Por fim, serão estudados aspectos relativos à segurança das formulações vacinais, em particular, a geração de respostas inflamatórias, alterações hematológicas e reações cruzadas com células e tecidos do hospedeiro. Trata-se de proposta inédita em termos acadêmicos que deve resultar em publicações em periódicos especializados assim como em pedidos de patentes voltados para a produção de vacinas seguras e eficazes para o controle da dengue. (AU)

5. Imunoma funcional da saliva de Aedes aegypti

Pesquisador Responsável: Anderson de Sá Nunes

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Ciências Biomédicas (ICB)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Apoio a Jovens Pesquisadores

Vigência: 01/05/10 a 30/04/15

Resumo: Duas revoluções recentes mudaram a história da pesquisa do mosquito Aedes aegypti. A primeira ocorreu com a publicação dos “salivomas” da espécie. Esses catálogos, representando o conjunto de proteínas e de RNA mensageiros presentes na glândula salivar desse mosquito vetor, multiplicou o conhecimento existente até então sobre as proteínas salivares em mais de vinte vezes. A segunda revolução foi o sequenciamento de seu genoma, trazendo uma perspectiva única aos estudos comparativos e ao desenvolvimento de ferramentas genômicas para análises de transcriptomas e genética reversa. O presente projeto pretende iniciar uma terceira revolução na pesquisa do Ae. aegypti, criando o “imunoma” funcional da saliva desse vetor. Para tanto, abordagens bioquímicas clássicas (microfiltração, separação cromatográfica, degradação de Edman, espectrometria de massa) e abordagens pós-genômicas (análises de bioinformática, clonagem gênica, expressão de proteínas, síntese de peptídeos) serão exploradas lado a lado em ensaios de “screenings” imunofarmacológicos em larga escala, no sentido de se criar um mapa das atividades imunomoduladoras das proteínas presentes na saliva desse mosquito. Com este projeto pretende-se implantar uma nova linha de pesquisa no Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas – USP, onde o trabalho será realizado. Considerando o impacto desse vetor e das doenças por ele transmitidas na área de saúde pública e na economia mundial, especialmente nos países em desenvolvimento, o conhecimento gerado por esse projeto deverá levar ao descobrimento de novas moléculas com importantes atividades biológicas e potencial terapêutico, desenvolvimento de vacinas contra os patógenos transmitidos pelo mosquito e de novas abordagens de controle do vetor. (AU)

6. Estudo dos mecanismos protetores induzidos pela vacinação de camundongos com anticorpos de fusão capazes de direcionar proteínas do vírus da dengue para células dendríticas

Pesquisador Responsável: Silvia Beatriz Boscardin

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Ciências Biomédicas (ICB)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Regular

Vigência: 01/09/13 a 31/08/15

Resumo: As células dendríticas (DCs) possuem importância crítica na interação entre o sistema imune inato e adaptativo, fagocitando antígenos e apresentando-os para linfócitos, sendo capazes de induzir tolerância ou fortes respostas adaptativas contra os patógenos. Esta propriedade faz com que estas células sejam um interessante alvo para o desenvolvimento de novas estratégias vacinais. Nos últimos 4 anos, implantamos pela primeira vez no Brasil uma estratégia que visa o direcionamento de antígenos para as DCs in vivo. Esta estratégia consiste na utilização de um anticorpo monoclonal (mAb) contra um receptor presente na superfície da DC em fusão com o antígeno de interesse. A administração de baixas doses do mAb de fusão, na presença de estímulos de maturação para as DCs, é capaz de ativar células T antígeno-específicas e induzir a produção de altos títulos de anticorpos contra o antígeno. Atualmente as DCs constituem uma população de células bastante heterogênea. Alguns marcadores de superfície são capazes de definir subpopulações que possuem capacidades diferentes para processar e apresentar antígenos, sendo esta capacidade diferencial a responsável pela ativação de populações específicas de células T. Em projeto anterior (ver artigo submetido em “outros documentos” no SAGE), fomos capazes de direcionar a proteína não-estrutural 1 (NS1) do vírus da dengue para duas subpopulações de DCs. O direcionamento do antígeno para a população que expressa o receptor endocítico DEC205 induziu forte resposta imune anti-NS1 e foi capaz de proteger animais contra um desafio com o vírus DENV-2 (cepa NGC), quando utilizamos poly I:C como adjuvante. Esta resposta parece ser mediada principalmente por linfócitos T, porém a participação dos anticorpos na patogenia ou proteção também precisa ser estudada em maiores detalhes. Com o intuito de estudar melhor a resposta mediada por pelos linfócitos T, pretendemos mapear o(s) epitopo(s) específico(s) presente(s) na NS1 que é (são) responsáveis pela geração das células T CD4+ específicas e protetoras em nosso modelo. O papel dos anticorpos anti-NS1 na proteção ou patogenia da doença será estudado através de ensaios de transferência passiva e através da análise da função plaquetária nos animais imunizados. Além da proteína NS1, a proteína do envelope (E) do vírus da dengue também é alvo do sistema imune e anticorpos que a reconhecem podem ter atividade neutralizante. Por outro lado, há relatos de que tais anticorpos podem também ter efeito deletério e contribuir para a patogenia da doença. Para estudar o papel dos anticorpos anti-E em nosso modelo de direcionamento, pretendemos gerar mAbs de fusão (±DEC ou ±DCIR2) com a proteína E e avaliar cada componente de resposta imune anti-E na proteção e/ou patogenia da doença. Em resumo, neste projeto pretendemos então analisar o papel das respostas imunes celular e humoral na proteção ou na patogenia da dengue quando as proteínas NS1 e E são direcionadas para duas populações distintas de DCs. (AU)

7. Prevalência de dengue em doadores e receptores de sangue brasileiros: índice de transmissão por transfusão e resultados clínicos de infecção por dengue em receptores

Pesquisador Responsável: Ester Cerdeira Sabino

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina (FM)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Regular

Vigência: 01/03/12 a 28/02/14

Resumo: A OMS estima que 50 milhões de novos casos de infecção por vírus da dengue (DENV) ocorrem anualmente no mundo resultando em 25.000 a 50.000 mortes. Recentemente altos índices de doadores com RNA+ para DENV foram relatados pelo nosso grupo durante as epidemias em São Paulo e Honduras, bem como pela Cruz Vermelha Americana (American Red Cross – ARC) em Porto Rico. Estes estudos da viremia em doadores foram acompanhados pelos primeiros relatórios bem documentados de casos de transmissão de dengue por transfusão em Singapura, Hong Kong e Porto Rico. Em virtude dos altos índices da viremia em doações documentados durante períodos epidêmicos, é difícil compreender porque há tão poucas descrições da aquisição de DENV através de transfusão de sangue. A experiência com a transmissão do WNV por transfusão, um flavovírus transportado por artrópodes similar, sugere que a transmissão transfusional de Dengue pode ocorrer comumente, mas tem sido pouco reconhecida devido à falta de vigilância ativa. Como discutido num recente Workshop de Arbovírus no NIH em dezembro de 2009, as questões sobre o índice de transmissão por componentes do sangue e consequências clínicas da infecção por transfusão são chaves para guiar políticas americanas e globais para DENV na triagem de suprimento de sangue. Neste estudo iremos primeiramente estabelecer os índices dos indicadores sorológicos de DENV em doadores e na população de receptores com alta exposição nos 4 Hemocentros do REDS-III Brasil para compreender os índices básicos de infecção nestas comunidades e o impacto de transfusões passadas na soroprevalência. Montaremos a infraestrutura necessária para esse tipo de estudo no Brasil. Conduziremos também um estudo prospectivo focado, a ser desenvolvido num surto de dengue na área geográfica de captação de um dos Hemocentros e desenvolveremos um acervo vinculado de doadores-receptores, o qual será testado por um Teste de RNA do DENV de alta sensibilidade para avaliar o índice de transmissão transfusional por doações RNA+ e resultados clínicos de infecção em receptores. (AU)

8. Biodiversidade de mosquitos (Diptera:Culicidae) nos parques municipais da cidade de SP

Pesquisador Responsável: Mauro Toledo Marrelli

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Saúde Pública (FSP)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Programa BIOTA – Regular

Vigência: 01/09/10 a 31/08/13

Resumo: Diante da escassez de informações sobre os mosquitos na cidade de São Paulo, este projeto propõe estudar essas espécies (Diptera: Culicidae) presentes nas áreas verdes, representadas pelos Parques Municipais da cidade. Esses ambientes são potenciais refúgios para mosquitos, dentre os quais alguns vetores relevantes. Será dada ênfase às espécies Aedes aegypti, Aedes albopictus e Culéx quinquefasciatus, dentre outras de interesse em Saúde Pública. Este projeto será realizado como uma parceria entre pesquisadores do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (USP), Instituto de Medicina Tropical (USP), Departamento de Parques e Áreas Verdes (SVMA-PMSP) e Centro de Controle de Zoonoses (SMS-PMSP). O plano de trabalho inclui identificação da fauna de Culicídeos, estudo dos aspectos ecológicos, caracterização molecular de algumas populações de mosquitos, identificação do hábito alimentar, identificação de infecção nos mosquitos por flavivírus. As formas imaturas serão coletadas em criadouros de solo como lagos, poças e também nos artificiais, utilizando-se conchas entomológicas e pipetas. Os mosquitos adultos serão capturados por meio de aspiradores, armadilhas automáticas e armadilha, de Shannon. Todo o material será identificado e catalogado nos Laboratórios de Entomologia em Saúde Pública da FSP/USP, e Laboratório de Fauna Sinantrópica do CCZ. Espera-se com essa pesquisa conhecer o papel desempenhado pelas áreas verdes da metrópole, quanto a servir de refugio de importantes espécies associadas a doenças como a dengue, além de outras com potencial de veiculação de arbovírus diversos, como o gênero Culex, cuja presença é marcante em áreas urbanas. O produto esperado será de utilidade na orientação de ações de controle, além de indicar as espécies que resistiram ao processo de urbanização e permaneceram “ilhadas” nesses refúgios. (AU)

9. Estudo das características virais, genéticas e imunológicas do hospedeiro humano no desenvolvimento de apresentações assintomáticas e graves da dengue

Pesquisador Responsável: Benedito Antônio Lopes da Fonseca

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Regular

Vigência: 01/05/12 a 30/11/14

Resumo: A dengue resulta da infecção causada por qualquer um dos vírus dengue (DENV), sendo considerada a principal arbovirose em nível mundial e de extrema importância para o nosso país. A dengue apresenta uma ampla variedade de sintomas clínicos, desde infecções assintomáticas até formas graves denominadas de febre hemorrágica da dengue/síndrome do choque da dengue (FHD/SCD). A patogênese das infecções por dengue, e em particular das formas graves, é complexa, incluindo o envolvimento da resposta imune tanto na proteção como no desenvolvimento das formas graves e tendo as características virais e do hospedeiro como coadjuvante na patogenia das formas graves. É de extrema importância o entendimento das bases moleculares e imunológicas da patogênese da dengue para auxiliar no tratamento e prevenção desta doença, facilitando o desenvolvimento de vacinas que protejam contra os quatro sorotipos dos DENV e que não aumentem a gravidade da doença devido ao efeito do “antibody-enhancement of the disease”. Este projeto tem como proposta avaliar diversos parâmetros relacionados à patogênese da dengue in vivo e in vitro, visando relacionar as diferentes apresentações da doença com a genética, a resposta imune do hospedeiro e com a virulência das cepas, avaliando a importância relativa de cada um destes fatores no desenvolvimento das formas mais graves da doença. Serão avaliadas características virais e pessoais (genéticas e imunológicas) presentes no soro e células de pacientes que apresentam dengue clássica, dengue com complicações, dengue hemorrágica e infecção assintomática por dengue. O estudo deste último grupo é de extrema importância e nunca foi avaliado por nenhum grupo de pesquisa. A expressão das citocinas será investigada por uma nova  técnica que não tem sido usada para dengue. Esperamos com este projeto contribuir para o melhor entendimento da resposta do hospedeiro desencadeada pela infecção do vírus, o que irá auxiliar no desenvolvimento de vacinas e tratamentos para dengue. (AU)

10. Investigações dos mecanismos moleculares envolvidos nos processos de infecção de células humanas pelos vírus da dengue

Pesquisador Responsável: Leo Degreve

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Temático

Vigência: 01/02/10 a 31/01/14

Resumo: A dengue é uma virose transmitida para o ser humano por mosquitos do tipo Aedes em muitas regiões tropicais e subtropicais. Em 2007, ocorreram cerca de 560.000 casos de dengue no país dos quais cerca de 1500 foram de dengue hemorrágica de alto índice de letalidade. A infecção pelos diferentes vírus da dengue ocorre através de procedimentos que envolvem 10 proteínas virais C, prM, E, NS1, NS2A, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5 (as funções de algumas destas proteínas permanecem, no momento, desconhecidas porém são proteínas estruturais, proteínas com funções diversas na transferência do material genético do vírus para dentro e para fora da célula, na disponibilização das proteínas a partir do genoma e a produção do material genético). As investigações (por mais de 1700 pesquisadores no país), que se destinam a entender e controlar os procedimentos de infecção pelo vírus da dengue abordam o assunto como sendo de virologia, de saúde publica em geral, de infectologia, de bioquímica, de biologia molecular, de microbiologia, de imunologia, de genética, de parasitologia principalmente. O objetivo do projeto é contribuir no entendimento dos processos que permitem ao vírus da dengue se fundir em células hóspede e de processos que inibem a multiplicação do vírus seja dificultando a sua inserção na célula, seja dificultando a construção de novas partículas virais. No presente projeto, estes procedimentos serão estudados ao nível atômico a partir de informações experimentais disponíveis a respeito das estruturas proteicas 3D, das interações com receptores celulares e de processos de inibição da ação do vírus. Diversos temas principais serão estudados tais como: a estrutura da proteína e nas fases preparatórias à fusão e durante a fusão do vírus na célula e a inibição da fusão tanto nas fases preparatórias, quando mudanças intensas ocorrem nas proteínas virais envolvidas, como na própria fase da fusão. As seguintes técnicas serão usadas: simulações por dinâmica molecular e de mecânica quântica/mecânica molecular, simulações coarse grained. Um portal na internet será desenvolvido na linguagem audiovisual mais adequada para a disponibilização de informações, artigos, vídeos e outros materiais no Portal Paulista da Dengue. (AU)

11. Construção de clone infeccioso do dengue tipo 3: ferramenta para estudo da patogenia viral

Pesquisador Responsável: Victor Hugo Aquino Quintana

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Apoio a Jovens Pesquisadores

Vigência: 01/08/05 a 31/07/10

Resumo: A infecção do homem com os vírus da dengue (DENV), que pertencem ao gênero Flavivírus da família Flaviviridae, pode ser assintomática ou causar doença que pode variar desde uma síndrome semelhante à gripe (febre da dengue [DF]) até a forma mais grave e algumas vezes fatal, caracterizada por derrame capilar, trombocitopenia, e algumas vezes choque hipovolêmico (febre hemorrágica da dengue [DHF/DSS]). Os DENV são classificados em 4 sorotipos imunologicamente distintos: DENV1-4. Estudos epidemiológicos têm identificado a reinfecção com um segundo sorotipo e a presença de anticorpos pré-existentes contra DENV como fatores de risco para desenvolvimento de DHF/DSS. Também, tem sido observado que distintos genótipos dentro de um mesmo sorotipo apresentam diferentes graus de virulência que estariam relacionadas com a presença de diferentes estruturas secundárias nas regiões não codificadoras, bem como nas proteínas estruturais e não estruturais. Recentemente tem aumentado o número de casos de DHF/DSS no Brasil devido, principalmente, à introdução do DENV3. Neste estudo, temos por objetivo construir um clone infeccioso de um DENV3 isolado no Brasil, o qual servirá como ferramenta para estudo da patogenia viral. O clone infeccioso será submetido a mutações na região não codificadora 5′ e na região codificadora da proteína E, e os efeitos destas mutações serão avaliados por testes indiretos in vitro e in vivo. (AU)

12. Promovendo mortalidade em Aedes aegypti infectado pelo vírus dengue

Pesquisador Responsável: Margareth de Lara Capurro Guimarães

Instituições: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Ciências Biomédicas (ICB)

Modalidade: Auxílio à Pesquisa – Regular

Vigência: 01/03/09 a 31/05/11

Resumo: Este projeto tem como proposta a construção de linhagens transgênicas que irão morrer na presença do vírus da dengue resultando em eliminação da transmissão. Estamos construindo genes que codificam proteínas de fusão composta de Sec61g, sitio de clivagem da proteína do capsídeo do vírus dengue, e michelob_x (mx). As sequências promotoras de vitelogenina e carboxi-peptidase de Aedes aegypti, foram testadas anteriormente em várias linhagens transgênicas e não esperamos nenhum problema com elas. O domínio transmembranal da Sec61g em fusão com a mx poderá ser modificado pelo domínio transmembranal da proteína de capsídeo do próprio vírus ou outra subunidade do complexo Sec61, se os resultados utilizando cultura de células mostrarem algum tipo de resultado não esperado. Experimentos de cultura de células serão utilizados para testar o sítio de clivagem entre Sec61g e mx assim como a toxicidade de mx. Outras proteínas poderão ser utilizadas se mx mesmo fusionada com Sec61g acarretar morte celular. (AU)

Fim

 

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