As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O cinema da vida no tempo da pandemia

Pablo Pereira

27 de abril de 2021 | 11h37

Minha mãe costumava contar que na juventude, nos anos 40, cuidava do cinema da família. Adorava aquilo. Ela recordava das sessões que via depois de fechar a bilheteria. Por anos lamentou que a vida tomou outro rumo tirando dela aquele prazer. Imagine: uma jovem deslumbrada com todos aqueles craques das telas, gente que foi virando cult. Talvez seja por isso que “Cinema Paradiso” me levou nove vezes à sala de exibição para me encantar com o menino Totó do Sr. Tornatore e a maravilhosa trilha do Sr. Morricone. O cinema é como os livros, nos abre mundos que nos dão prazeres e nos revelam coisas que temos e, muitas vezes, nem sabemos.

No último domingo, à noite, curioso, acompanhei a cerimônia de premiação dos melhores filmes do ano pela TV. Estes tempos de 20/21 abarcam uma realidade global que parece o roteiro da história de um planeta envolto numa guerra biológica terrível, com todos perplexos diante da impotência contra um vírus mortal. Um momento trágico. Nos anos 40, minha mãe viu a indústria do cinema procurar maneiras de entreter as pessoas durante o sofrimento dos horrores da Segunda Guerra. Agora, abril de 2021, eu queria ver como a criação olhou esse mundo muito doido.

De certa forma, o Oscar da pandemia mostrou o drama humano atual e refletiu a realidade. Premiou a beleza da atuação de mulheres criadoras (Frances McDormand), destacou uma diretora chinesa (Chloé Zhao) e deu relevância a uma coreana idosa (Yuh-Jung Youn) como atriz coajuvante, além de reconhecer o talento de um jovem intérprete britânico (Daniel Kaluuya), que faz o papel de um ativista negro.

Mas uma obra é especialmente representativa: aquela que deu o merecido prêmio de Melhor Ator a Anthony Hopkins. Com a brilhante interpretação de um idoso perdido em confusões mentais, fato cada vez mais comum pela crescente maior longevidade das pessoas, é um filme cruelmente tocante. Sem apelações do tipo mulher pelada, tiros, perseguições de carros de polícia – e outras mirabolâncias vulgares -, a fita foi também o Melhor Roteiro Adaptado. É o resumo de um tempo: “Meu Pai”!

Tudo o que sabemos sobre:

pandemiafilmeOscar

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.