O Brasil real anda para trás
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O Brasil real anda para trás

Pablo Pereira

10 Julho 2016 | 13h44

Estadão começa hoje uma série de reportagens sobre o fundão do Brasil. O trabalho detalhado de André Borges e Leonencio Nossa é fundamental. Mostra um país não-oficial, uma tragédia que muita gente das grandes cidades faz de conta que vê. Para muita gente, índio é invenção e sem-terra é manipulação.

Mas esse Brasil real, porém, insiste em existir. E não é de hoje. Os números da CPT Nacional mostram uma retomada dos assassinatos em 2015 (50 casos). É drama registrado pela CPT há pelo menos 40 anos – a entidade tem 41 anos.

No próximo dia 9 de agosto, por exemplo, completa-se 21 anos de um desses absurdos nacionais, o massacre de sem-terras de Corumbiara. E no dia 4 de agosto, 20 anos da reportagem que fiz sobre como viviam, um ano depois da barbárie, os sobreviventes da chacina. 20 anos. Outros países – a Coreia é um exemplo muito citado – mudaram sua gente em duas décadas. Aqui, não, Aqui o tempo passa e nada acontece. As mínimas conquistas não duram.

Sem terra passam fome

O retrocesso da área social não é uma ameaça, é real – no fundão e nas cidades. Nas metrópoles, a violência cotidiana é bem conhecida, mas não menos assustadora. O Brasil só piora. Hoje há até investidas contra a liberdade de imprensa, alimentadas pela instabilidade democrática nacional, incentivada por democratas de conveniência. É sempre assim. Quando se quebra determinadas regras do pacto democrático, libera-se a turba autoritária e outras normas entram imediatamente na linha de tiro.

Segundo a CPT, “Em 2015, o número total de ocorrências de conflitos no campo foi 1.217, contra 1.286 em 2014, e, envolveu mais de 816 mil pessoas. Os assassinatos foram 50 ante os 36 casos de 2014, portanto, aumento de 39%, embora, tenha diminuído um pouco o número de conflitos. Assim continua ampliando-se a barbárie no campo brasileiro.”

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