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O Brasil e seu jeito torto de ser

Pablo Pereira

24 Dezembro 2015 | 16h03

O Brasil não tem jeito mesmo. Depois que no dia 27 de janeiro de 2013 um incêndio matou 242 pessoas, deixou mais de 600 feridos ou intoxicados e traumatizou a cidade gaúcha de Santa Maria – eu estive lá e vi numa noite macabra no ginásio de esportes coisas que jamais imaginara ter de olhar – houve uma baita discussão sobre a legislação contra fogo em edifícios no país. Era de se esperar que São Paulo, o todo poderoso estado mais rico, se tocasse e puxasse uma reforma legal para pelo menos fiscalizar e tentar evitar esse tipo de absurdo.

Porém, pouco depois, em novembro do mesmo ano, um fogaréu destruiu parte do Memorial da América Latina. Não era fogo numa cidade distante; era na Barra Funda. Houve por aí mais uma rodada de “Ah, Oh, Meu Deus! Como assim, não tinha proteção?” Pois o Auditório Simón Bolívar não teve proteção. Virou tição.

Eis que na semana passada lá se foi o Museu da Língua Portuguesa, criado e bancado por nada mais nada menos do que a Fundação Roberto Marinho, festejado por marqueteiros de governo como uma riqueza.

Mas bastou uma faísca, dizem as primeiras investigações, para tudo virar escombros e mais uma vida, de um trabalhador brigadista, se perder – além de milhares de pessoas ficarem sem os trens da Estação da Luz por dias. E nada de a tal “legislação” protetora funcionar. São coisas que nada têm a ver com crises conjunturais, políticas ou econômicas. É mesmo um jeito torto de ser.

Dá licença!

 

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