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Nuvens de Brasília sobre São Paulo

Pablo Pereira

09 Outubro 2012 | 18h58

Boa parte da disputa pela Prefeitura de São Paulo vai ocorrer num cenário bem distante da terra da garoa. Lances relevantes da guerra pela cobiçada caneta de prefeito paulistano, que vale R$ 40 bilhões por ano, já estão ocorrendo nesta cidade que não tem prefeito, mas que não há quem não conheça: Brasília.

Durante o primeiro turno, foi de lá que saiu a ordem para que Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo, que fazia cara de paisagem em relação ao candidato do PT indicado por Lula, Fernando Haddad, entrasse na campanha em troca de um ministério, o da Cultura, que vinha sendo chefiado por Ana de Hollanda, irmã de Chico, filha de um dos maiores intelectuais paulistas, Sérgio Buarque de Hollanda, ex-diretor do Museu Paulista, ex-professor da USP, e de dona Maria Amélia, matriarca da família que viveu anos na famosa casa da Rua Buri, no Pacaembu.

Pois foi de Brasília que saiu o tiro que abateu a paulistana Ana de Hollanda para que Marta se acomodasse no staff do Planalto e apoiasse Haddad, ele próprio um ex-integrante da Esplanada. E foi por Brasília, igualmente, que o candidato tucano José Serra, o adversário de Haddad no dia 28, já lutou colecionando mais de 44 milhões de votos no país. E é de lá que Serra hoje tenta se afastar ao máximo para eliminar a ideia disseminada em São Paulo de que só pensa na cidade inventada por Oscar Niemeyer.

Pois, mais uma vez, será de Brasília que deverão sair nos próximos dias elementos que podem ser decisivos para o futuro imediato dos paulistanos. Um deles, no terreno das alianças, já está sendo costurado entre Lula e o vice-presidente da República, Michel Temer, que é o apoio de Gabriel Chalita (PMDB), quarto colocado no primeiro turno, para Haddad.

Outros dois lances, ainda mais relevantes, estão por ocorrer. Primeiro, a construção da ponte entre o PT e o PRB, o partido que deu sustentação a Celso Russomanno na conquista dos mais de 1,3 milhões de votos contados no último dia 7. Pelos principais líderes nacionais do PRB e pastores de igrejas evangélicas que tentaram eleger Russomanno mas fazem parte da base de apoio do governo federal, deve passar a decisão sobre se agora são Haddad ou Serra. E, por fim, há a bomba política das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que lá no desértico clima do cerrado julga o mensalão.

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