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Nós e os outros

Pablo Pereira

15 Dezembro 2010 | 13h20

Em férias no ano passado, caminhava eu, já de madrugada, por uma avenida famosa de Nova York quando cruzei na calçada com um cidadão que calmamente acompanhava seu cão naquele necessário passeio noturno de bicho de apartamentos. A 5ª Avenida é conhecida pelo seu requinte, pela agitação comercial. Mas àquela hora estava tranquila. Caminhávamos por ela como quem passeia num parque à luz do dia. E o homem ali, com seu prosaico compromisso de amizade.

Lá, como cá, os cães precisam descer para reconhecer os de sua espécie, remarcar seus espaços nos postes, aliviar o estresse da vida com os humanos, e para atender à fisiologia.

Ao ler hoje o texto de Gilberto Amendola, no Jornal da Tarde, sobre a convivência de moradores da Paulista com o movimento natalino, lembrei de minha surpresa com a cena que vi na capital do mundo. Na Paulista, o sujeito reclama da multidão que transita por ali, atraída pelos enfeites de Natal – o que o obriga a andar entre carros e a se “defender” de flash de máquinas fotográficas quando ele só está indo até a padaria buscar o pãozinho de cada dia.

Acho que entendi bem por que o nova-iorquino passeava com seu cão tão tarde da noite.

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