No MS, clima de guerra étnica atrai religiosos
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No MS, clima de guerra étnica atrai religiosos

Pablo Pereira

08 de outubro de 2015 | 18h17

No eixo Rio-São Paulo-Brasília-Curitiba, o tempo é quente na política com investigações sobre corrupção, empreiteiros e políticos presos e até ameaças de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. Enquanto isso, no fundão brasileiro a vida segue valendo pouco ou quase nada e o clima de insegurança é coisa do cotidiano. Por exemplo: no Mato Grosso do Sul, os confrontos fundiários e étnicos transformam a convivência em enfrentamento armado.

O MS tem  70 mil indígenas, 44 mil somente de uma etnia, os guarani caiová, segundo dados do Ministério Público Federal. É a segunda maior população de índios do país num estado. São pessoas que vivem em constante instabilidade e sob forte ameaça, basta ver os números de assassinatos desses cidadãos. A taxa de assassinatos por lá é de 100 para 100 mil habitantes, três vezes maior do que a média nacional brasileira. No MS, a população indígena é de 2,9% da população total, mas a taxa de suicídios é de 19%, sete vezes mais, argumentam documentos do MPF.

É uma pressão enorme sobre um grupo étnico que historicamente permanece em desvantagem quando se encontra com a maioria de não-índios. E o estado brasileiro, responsável pelo equilíbrio e mediação dos interesses, não atende a demanda. Fazendeiros e proprietários de terras reclamam de um lado e índios são abatidos de outro, e a barca segue como se ninguém visse nada disse, exceto os relatórios e documentos do MPF.

Nesta semana, diante dessa situação que não só não se resolve no país, ao contrário, só piora, entidades religiosas que operam no limite dessa realidade ameaçadora foram a Campo Grande para reunião com o novo procurador chefe do MPF no Estado, Emerson Kalif Siqueira. No encontro estavam integrantes de igrejas luterana, presbiteriana, batista, candomblé e da Igreja Católica, representada pelo arcebispo de Campo Grande, dom Dimas Lara Barbosa.

Se a coisa não melhora pela via das leis ou pela concertação social, quem sabe se pela fé a coisa muda – ou pelo menos se acalma esse clima de “beligerância”, como diz o procurador Kalif Siqueira, empossado dias atrás pelo procurador-geral Rodrigo Janot. A foto é do próprio MPF-MS.

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