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Mulher de líder yanomami aguarda aparelho alugado para cirurgia em Boa Vista

Pablo Pereira

03 de outubro de 2013 | 08h46

O debate sobre a saúde no Brasil ganhou força com o programa Mais Médicos para comunidades distantes dos grandes centros e que sofrem com a falta de atendimento no sistema público. Mas a situação do setor, claro, é muito mais grave. Em Boa Vista, Roraima, por exemplo, médicos tentam alugar às pressas um equipamentos de cirurgia neurológica na tentativa de tratar Fátima Yanomami, de 47 anos, mulher do líder indígena Davi Kopenawa Yanomami.

Fátima tem diagnóstico de tumor na cabeça e precisa de atendimento de urgência. Ela está internada há duas semanas no Hospital Geral de Roraima, na capital do Estado, aguardando cirurgia no Bloco A do HGR. “Minha mãe às vezes fala, às vezes fica muda, e nervosa”, disse ontem Dario Yanomami, de 30 anos, filho do casal, que acompanha o tratamento da mãe. “Os médicos estão tentando alugar um aparelho para fazer a cirurgia aqui mesmo em Boa Vista”, contou Dario.

Dias atrás a família chegou a pensar em uma transferência de Fátima para São Paulo. Amigos da família reclamam da demora no atendimento dizendo que Fátima ficou em uma cadeira de corredor à espera de quarto no hospital, e que precisaria de transporte em avião-ambulância para ser transportada para São Paulo.

No dia 27, duas passagens aéreas foram emitidas pelo setor de Saúde Indígena do Ministério da Saúde para Fátima e uma acompanhante. Mas a paciente não pode enfrentar o voo de carreira que no dia 28 saiu às 2h40 de Boa Vista, com escala em Manaus, rumo a São Paulo.

A alternativa da equipe médica então foi correr atrás da “importação” de um equipamento necessário para operar Fátima em Boa Vista, inexistente no hospital. “Ela agora já está no quarto, e bem atendida pelos médicos”, explicou o filho. “Quando o equipamento chegar, eles vão avisar a gente”, disse.

Segundo uma acompanhante de Fátima, ontem pela manhã a situação da saúde dela era estável. “Ela me reconheceu hoje”, disse a mulher. “Mas ela tem momentos de desmaio”, completou. Os médicos não falam sobre o tratamento. O neurocirurgião Fabrício Almeida, que cuida de Fátima, não quis comentar o caso.

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