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MPF investiga ameaça de morte contra cacique caiová em Dourados. Pistoleiro oferece R$ 500 pela “cabeça” do índio

Pablo Pereira

19 de agosto de 2013 | 12h51

A cabeça do cacique guarani caiová Getúlio de Oliveira, da Reserva Indígena de Dourados, no Mato Grosso do Sul (MS), está valendo R$ 500,00. O preço foi informado a parentes do próprio cacique por pistoleiros que buscavam informações sobre ele na região. O fato foi denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) de Dourados, que abriu inquérito para apurar o caso.

“Getúlio é um líder indígena que tem protestado contra ocupação territorial em área onde os imóveis chegam a valer R$ 25 mil o hectare”, explicou o procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida, que registrou a ameaça ao indígena. “Com o registro do depoimento das testemunhas vamos tentar identificar as pessoas ameaçam Getúlio”, disse o procurador.

De acordo com o processo aberto do MPF de Dourados, as ameaças foram feitas nos dias 6 e 7 de agosto. Homens que procuravam pelo cacique ofereceram R$ 500,00 para saber onde encontrariam o cacique. Testemunhas disseram que o pistoleiro avisou que “queria a cabeça” de Getúlio e que, em breve, eles “não teriam mais cacique”.

Em outro momento, segundo relato ao MPF, indígenas foram abordados por um grupo de não-índios em um carro quando chegavam à casa de reza da aldeia. Segundo uma testemunha,  “desceu um homem branco, alto, de roupa preta. Olhou para as mulheres, que tinham descido do carro, e voltou ao seu carro. Esse movimento teria sido bem rápido, cerca de 2 minutos. O carro era um utilitário preto, cabine dupla, com faróis acesos no alto da carroceria. O homem não disse uma só palavra. Só olhou as pessoas, entrou no carro e sai acelerando”.

O procurador disse que a polícia deve investigar a tentativa de intimidação contra os guarani. “É uma insegurança que infelizmente ocorre no processo de luta dos indígenas pela terra”, declarou Almeida.

Segundo o procurador, o caso é mais um dos diversos ameaças e atos de violência que marcam o ambiente de conflito territorial envolvendo fazendeiros e os guarani caiová no MS.

O procurador lembrou que desde 2003, quando foi assassinado o índio Marcos Veron, pelo menos um líder indígena foi morto a cada dois anos na região. Veron tinha 73 anos. Ele foi torturado e morreu em decorrência do espancamento. Os guarani caiová são hoje cerca de 43 mil pessoas e vivem em áreas do sul do MS, região de faixa de fronteira do Brasil com o Paraguai.

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