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Caso de PC Morato, morto em motel em Olinda, completa um mês de mistério

Pablo Pereira

22 Julho 2016 | 17h42

O Ministério Público de Pernambuco designou a promotora Rosângela Padela, da Vara Criminal de Olinda, para acompanhar as investigações sobre a morte de Paulo César de Barros Morato, cujo corpo foi encontrado no dia 22 de junho num motel na periferia da cidade. Um mês depois, completado nesta sexta-feira, as investigações ainda não foram concluídas na Polícia Civil. “Estamos aguardando o inquérito policial”, disse ontem a promotora de Olinda.

A promotora foi indicada para a investigação pelo procurador geral do MP/PE, Carlos Guerra de Holanda, após um questionamento feito por procuradores na região do Colégio de Procuradores no dia 13 sobre se houve “assassinato” no caso. Morato foi localizado sem vida, envenenado, um dia após ser procurado em casa pela Operação Turbulência, da Polícia Federal, acusado de ser “testa de ferro” de um esquema de corrupção e pagamento de propinas para políticos, entre eles o ex-governador Eduardo Campos, que morreu em acidente de avião em Santos.

De acordo com laudo do Instituto Médico Legal de Recife, ele teria sido vítima de envenenamento com chumbinho, produto usado para matar ratos. Segundo as investigações da Polícia Federal, Morato seria o controlador de uma rede de captura de CPFs de laranjas para o esquema de distribuição de propinas a políticos em Pernambuco nas campanhas de 2010 e 2014. No carro dele, apreendido no motel, havia dezenas de envelopes de depósito bancários e R$ 3 mil em dinheiro.

Depois de 11 dias no IML de Recife, o corpo foi sepultado pela família na cidade de Barreiros, Zona da Mata, cidade vizinha de Tamandaré, onde Morato morou antes de se mudar para Recife no início deste ano. Em Tamandaré, onde era conhecido como Paulão, ele foi dono de uma pequena loja de aparelhos e acessórios de celulares e vivia modestamente, pagando aluguel. Amigos rejeitam eventuais ligações de Paulão com esquemas de corrupção política. Depois do acidente com o avião, segundo moradores, Morato afastou-se da cidade. Nos últimos meses antes de morrer, o empresário era visto vivendo como um suposto ganhador da loteria em uma casa da praia de Pau Amarelo, próxima de Recife.

De acordo com o superintendente da PF em Recife, Marcello Cordeiro, Morato tinha contas bancárias pelas quais passaram R$ 18 milhões em depósitos feitos pela empreiteira OAS e que foram usados na compra do avião que caiu em agosto de 2014, matando cinco pessoas, entre elas o candidato à Presidência da República, Eduardo Campos.

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