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Movimentos empurram Dilma para periferia

Pablo Pereira

24 Março 2015 | 16h47

Em julho de 2013, o descontentamento urbano com o governo federal saiu às ruas com a perspectiva de renovação eleitoral em outubro do ano seguinte, 2014. Chegado 2014, aquele humor das ruas terminou por reforçar o grupo da oposição, mas sem conseguir provocar a troca de comando do Palácio do Planalto via candidatura de Aécio Neves (PSDB).

Não ganhou, mas deixou claro, no dia 26 de outubro, que a oposição ao governo PT/PMDB, depois de muito tempo, conseguia amparo de massa: pelo menos 51 milhões de eleitores escolheram o candidato oposicionista contra a presidente Dilma Rousseff, que obteve 54 milhões de eleitores. E já em dezembro, os movimentos sociais reclamavam que a presidente eleita lhes tinha aplicado “tapa na cara”, expressão da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em documento divulgado por conta da montagem do ministério.

Dois meses depois da posse, com o agravamento da inflação, as medidas econômicas de ajuste fiscal e corte no crédito, e a indignação geral diante do escândalo na Petrobrás, investigado pelo juiz Sérgio Moro, formou-se novo movimento contrário à presidente eleita, Dilma Rousseff, e seu partido, o PT. E a Avenida Paulista reuniu, no dia 15, centenas de milhares de opositores indignados, com camisas amarelas, em protesto gigante dois dias depois da passeata chapa-branca do dia 13 (13 é o número do PT), esta organizada por setores de massa ligados à base do partido situacionista e aliados.

Passada uma semana da forte pressão sobre Dilma, o PT e a corrupção, resultados começam a aparecer. Ontem, dia 23, numa reunião no Palácio do Planalto, os ministros Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência, e o Gilberto Kassab, das Cidades, mais a presidente da Caixa, Miriam Belchior, receberam uma dúzia de representantes do programa Minha Casa Minha Vida para falar sobre liberação de dinheiro da casa própria.

A reunião ocorreu dois dias após João Pedro Stedile, líder do MST, ter dito a Dilma, com todas as letras, que os ministros dela deveriam ouvir mais o pessoal dele, ou seja, a militância de esquerda que desde o início dos anos 90 agita as massas para o projeto de governo de Lula/Dilma e outros aliados, como o PC do B.

E não deu outra. “Nos próximos 15 dias, o governo vai agilizar o fluxo de pagamento das obras em andamento, contratar o que foi acordado com os movimentos no ano passado e continuar as discussões da terceira fase do Programa com os movimentos sociais”, informou nota da Secretaria-Geral da Presidência da República, de Rossetto. “A próxima reunião está marcada para meados de maio”, adiantou o ministro, segundo a assessoria.

Depois de dias de tensão política e do diagnóstico (em pesquisas) da perda acentuada da popularidade de Dilma, pelo menos uma consequência imediata a pressão das ruas, dos dias 13 e 15, já provocou no Planalto: a presidente Dilma foi empurrada na direção da periferia.

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