Millôr, do tempo do vinil
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Millôr, do tempo do vinil

Pablo Pereira

24 Abril 2012 | 11h07

Outro dia, ao ver uma linha do tempo publicada aqui no estadão.com.br, caiu-me a ficha:  o escritor Millôr Fernandes não nascera velhinho, como eu pensava. Conversando com amigos constatei que vários também tinham essa impressão. Millôr, o mestre na síntese, morto no dia 27 de março, aos 88 anos, era daqueles  – como Vinicius de Moraes, Drummond, João Cabral, Erico, Sérgio Buarque de Holanda – que parecem que sempre tiveram aparência e sabedoria de vovô. E  já era assim havia tempo.

Encontrei essa imagem de Millôr no bolachão Discomunal, de 1968, um presente do jornalista Chico Ornellas. No LP, ele é o apresentador de um show gravado no Rio às vésperas de a ditadura endurecer.

Ele apresentava a turma e divertia a plateia. Entre uma música e outra, não resistia!

“Voltando à situação do Brasil. É um exagero as pessoas dizerem que o Brasil está ruim. Depois de dois anos, o governo acaba de dar 20% de aumento no salário mínimo. Como diz o meu amigo Fortuna: Não é nada, não é nada… não é nada!”

Sempre achei que a graça de Millôr vinha do fato de o tempo não fazer a menor diferença na existência dele. Parecia existir por séculos, já ter visto de tudo. Quando ele aparece na família, em 1923, por exemplo, ninguém se preocupa em registrar o acontecimento! Sabiam que, para ele, o tempo não importava.

E, no fundo, eu não estava enganado.  Gente assim, fora do comum, como Millôr, sempre fica para além do pior acidente de percurso da vida. Como muitos daqueles que estão com ele no meu surrado vinil.

Em tempo, além da voz do genial Millôr, o disco tem:

LADO A

1- Wave (Tom Jobim)

2- Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant)

3- Astronauta (Baden e Vinícius)

4- Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro)

LADO B

5- Eu e a Brisa (Johny Alf)

6- Deixa (Baden e Vinícius)

7- Vou te Contar (Tom Jobim)

8- Bom Tempo (Chico)

9- Retrato em Branco e Preto (Tom e Chico)

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