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Mangueira muda o Carnaval – e a gente

Pablo Pereira

21 de fevereiro de 2012 | 10h29

 

Curtir um gol de um filho na quadra do colégio, assistir ao time ganhar do Barcelona no Mundial, saber que um amigo se deu bem ou ver a Sapucaí inteira cantar um samba no silêncio de uma bateria nota 10. São grandes momentos da vida, às vezes prosaicos, mas inesquecíveis. Acontecimentos que viram marcas e provocam mudanças na nobre arte de viver.

Na madrugada desta terça-feira de Carnaval, a turma da Mangueira criou uma dessas maravilhosas homenagens à emoção: fez milhares de pessoas sentirem um nó na garganta nas arquibancadas, e no sofá de casa vendo pela TV Globo, ao oferecer-lhes um espetáculo inédito com um samba cantado a uma só voz por pelo menos 3 minutos na avenida. De arrepiar!

A apresentação da velha verde-rosa foi um primor. Revolucionária. No final, o veterano sambista Jorge Aragão resumiu: “Nunca vi coisa igual”. Tem razão. Vai ser difícil alguma outra escola de samba superar o que foi visto no desfile da Mangueira. Quem vai fazer a massa levantar e cantar sozinha – e por duas vezes seguidas – a letra inteira de um enredo? Quem vai calar a suprema bateria por tanto tempo? É deste tamanho a tarefa que ficou para ser batida na Sapucaí de Niemeyer.

Mas, mesmo que algum desses times espetaculares que trabalham no Carnaval do Rio consiga superar essa marca no quesito execução do samba enredo, será difícil alcançar o prazer de tremer no chute do molequinho balançando a rede, de saber de um sucesso desejado ou de gritar gol de um “Davi” Gabiru contra os “Golias” da Catalunha. Ou de chorar quando Dudu Nobre e Alcione, pela primeira vez, enfeitam, no gogó, o coro da arquibancada emocionada.

A Mangueira de 2012 mudou o Carnaval.

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(atualizado às 14h09)

 


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