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Madri de portas abertas

Pablo Pereira

06 de junho de 2012 | 20h57

Pode ser até que tudo não passe de jogo de cena, cortina de fumaça que vá se dissipar por sopros inesperados de uma economia sob tensão. Porém, hoje, um dia depois de o Rei Juan Carlos, de Espanha, se encontrar com a presidente Dilma Rousseff e amarrar as coisas nas relações de imigração com o Brasil, a situação em Barajas, a porta de entrada dos brasileiros em Madri, esteve tranquila.

Logo cedo, o voo que chegou de São Paulo por volta das 9h (hora de Brasília), lotado, fez pouso com céu azul – e viu sinal verde na Imigração. “Buenas”, disse o funcionário da Imigração com uma cara que não era nem de simpático nem de hostil. Ao ver meu passaporte, brasileiro, olhou-me rapidamente e aplicou o carimbão na folha do documento. E acrescentou: “Buen viaje”. E só. Olhei para as filas e tudo andava na boa.

Este “novo” clima de vizinhança faz eco de 100 anos. Quem der uma olhadinha no Acervo Estadopágina do Estado, de 1912, vai encontrar lá nota de saudação  exaltando a aproximação.

Pois, um século depois, o dia em Madri esteve uma delícia. A temperatura na casa dos 30 graus, um clima seco, e um final de tarde de céu limpo. Uma beleza. O enorme bandeirão amarelo e vermelho, que tremula na Plaza de Colón, perto da área dos grandes museus da Capital, enfeitava o ambiente, para a festa dos turistas que enchiam as ruas.

Na charmosa Plaza Mayor, com suas paredes que são pinturas, a sangria rolava solta, alegre, ao cair de uma noite de luzes em tons amarelados, sob um céu azul, rabiscado de nuvens brancas. E com música no ar.

Enquanto as autoridades do alto escalão político e financeiro da Espanha quebram a cabeça, segundo o noticiário do dia, e correm para tampar um buraco pelo qual se ouvem rumores abafados em grego, nas ruas a população toca a vida. Já foi mais fácil, dizem madrilenhos. Mas, como ocorreu por muitos anos no Brasil, segue o barco.

As conjunturas políticas e as conveniências dos governantes, muitas vezes, se esforçam para esconder a beleza das cidades. Mas, felizmente, nem sempre conseguem. Madri é uma bela cidade! E o Reina Sofia, uma inspiração.

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