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Líder do MTST diz que governo mistura valores de verbas para o movimento

Pablo Pereira

02 Janeiro 2016 | 18h55

O líder do MTST, Guilherme Boulos, contesta os valores, que segundo órgãos dos governos estadual e federal, foram repassados a projetos do movimento. De acordo com dados do governo estadual, entre 2012 e 2015 o movimento obteve R$ 81 milhões para a construção de 3.944 unidades, o que representa 25% dos recursos do MCMV Entidades no estado de São Paulo. E, de acordo com tabelas do Ministério das Cidades, os projetos de 2.650 unidades da Copa do Povo, do MTST, contam com cerca de R$ 201 milhões (R$ 76 mil por unidade).

“Estão contando aí recursos futuros. Previsão para 2016 e 2017”, afirmou Boulos. Ele argumentou que o movimento não recebe dinheiro do programa Minha Casa Minha Vida Entidades e que os recursos para projetos encaminhados ao programa são liberados pela Caixa diretamente para as construtoras mediante medição de obra em execução. Segundo ele, em 2015 a entidade obteve, para seu modelo de construção, do tipo empreitada global, pelo qual a construtora é contratada para executar o projeto elaborado pela entidade, cerca de R$ 26 milhões em dois projetos: em Taboão da Serra, com 384 unidades, e em Santo André, com 910 unidades.

“Qualquer valor além disso é uma mentira”, declarou o líder dos sem-teto. Segundo Boulos, o terreno da Copa do Povo movimentou em 2015 R$ 28 milhões, que foram pagos pela Caixa diretamente à proprietária do terreno, a empresa Viver Incorporadora. “É operação direta da Caixa, segundo as regras do programa, repassada direto para a construtora. O MTST não recebe um centavo desse dinheiro”, ressaltou.

Tensão

O líder negou ainda que o MTST tenha invadido terrenos de outros movimentos sociais, como reclamou ao Estado o líder do Movimento Terra de Deus, Rosalvo Salgueiro, citando o caso de uma área do Embu na qual houve confronto entre os dois grupos. “O MTST ocupou vários terrenos na região, mas não essa área que ele está citando”, alegou Boulos. “Mas agora nós estamos, sim, pensando em ocupar lá”, adiantou. “E queremos ver ele nos tirar no pau”, ameaçou.

Para Boulos, Salgueiro não tem autoridade para falar do MTST. “Ele não tem base social organizada, cobra dinheiro do povo, mente, e age sob encomenda de alguém”, acusou Boulos. “Dizer que o MTST é ligado ao PT é ferir o bom senso”, continuou. “O MTST é autônomo e foi o movimento que mais fez mobilizações contra o governo do PT”, afirmou.

“Esperamos que o governo não cometa a irresponsabilidade de se deixar levar pela postura como a dele (Salgueiro)”, emendou o líder do MTST. Na semana passada, Salgueiro se definiu como integrante da corrente de moradia popular ligada aos social-democratas e classificou o MTST como movimento no bloco dos “socialistas” com ligações com o PT.

O líder do MTST disse ainda que as mudanças planejadas pelo Planalto para o financiamento do programa Minha Casa Minha Vida, que passaria a contar recursos do FGTS em vez de verbas do Orçamento, não devem impactar as regras da moradia social. Caso isso ocorra, o MTST promete reagir. “Se não mexer nas regras de crédito e percentual de subsídio previsto no programa, está tudo bem”, disse Boulos. “Mas se houver mudanças, vamos protestar”.

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