Leôncio, a fonte que ensinava a pensar
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Leôncio, a fonte que ensinava a pensar

Pablo Pereira

07 de maio de 2021 | 10h00

Semana difícil para o País. No meio da pandemia, segunda-feira, dia 3, véspera da abertura da CPI da Covid no Congresso, morreu em São Paulo o sociólogo Leôncio Martins Rodrigues, aos 87 anos. Estava hospitalizado para tratar de Parkinson. O professor Leôncio era um especialista no comportamento político nacional. Formou-se pela USP em 1962 e transformou-se em referência acadêmica. Era rica fonte de informação sobre o Brasil. Intelectual, preocupado com o País, estava aposentado do Departamento de Ciência Política da Unicamp, onde ensinava a pensar.

É autor de diversos livros sobre sociologia, história do sindicalismo e política. Integrou o grupo do Cebrap junto com Fernando Henrique Cardoso e Elza Berquó, além de  uma dezena de outros pensadores sobre a realidade brasileira. Entre seus escritos está um perfil dos parlamentares eleitos em 1986 para elaboração da Constituição, livro editado pela OESP/MALTESE, produto de uma parceria com jornalistas do extinto Jornal da Tarde

Capa da edição de 1987 do livro Quem é Quem na Constituinte

À época, repórter de política do Diário do Sul, jornal também já extinto (lá se vão 33 anos), precisava eu de uma fonte de informação sobre o complexo processo de consolidação da reabertura democrática nacional. Professor Leôncio, gentil e paciente, atendeu ao telefone para iluminar (conforme registro abaixo)  o trabalho jornalístico com a qualidade de sua obra.

“Perco um dos grandes amigos que tive na vida. O Brasil perde um grande intelectual e um cidadão exemplar”, escreveu Bolívar Lamounier na última segunda-feira em uma rede social, comentando a morte de Leôncio Martins Rodrigues. Fica a obra do professor Leôncio, mas o País empobrece. E o jornalismo perde uma brilhante fonte de informação.

 

 

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