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Imigrantes haitianos: o Brasil é mesmo um país solidário?

Pablo Pereira

21 de abril de 2013 | 00h59

Emigrar não é fácil. Deixar sua terra, mudar de cidade, de país, enfrentar a diferença cultura, outra língua, outro modo de vida – ou tudo isso junto -, é um desafio e tanto. Milhares, ou milhões, de brasileiros têm feito isso nos últimos anos, primeiro pressionados pela crise econômica dos anos 80, 90, 2000. Lembram dos dekasseguis do Paraná, de São Paulo? Ou dos mineiros de Governador Valadares? E de tantos outros grupos de migrantes de outros estados, que deixaram o Brasil para colher uvas na Europa, para construir estradas na África, em busca de melhoria de vida?

Hoje o quadro brasileiro mudou. As pessoas já não precisam procurar trabalho no estrangeiro porque aqui as taxas de desemprego estão à beira do pleno emprego, na casa dos 4 ou 5%. Mas o povo continua viajando, talvez não mais em busca de dólares ou euros, mas sim de vivência, de novos idiomas, de novas culturas, de aperfeiçoamento profissional. E o país vê acontecer o fenômeno de virar objeto de desejo em diversos países, invertendo até uma tendência de muitos anos com Europa e Estados Unidos. Na esteira dessa nova realidade, o Brasil virou tábua de salvação para a gravíssima realidade dos haitianos, que fogem da miséria após a devastação de seu país pelo terremoto de janeiro de 2010.

Emigrar à força não é só difícil, chega a ser desesperador. Como se viu dias atrás em Brasileia, no Acre, local de uma crise humanitária que exigiu uma força-tarefa de solidariedade do governo federal para alívio das tensões provocadas pela avalanche de cerca de 40, 50 imigrantes chegando à fronteira todos os dias e provocando a superlotação do abrigo de refugiados. Nos últimos meses, levas e levas desses cidadãos caribenhos sem perspectivas saíram do meio dos escombros mirando o Brasil como esperança de vida nova e sustento para suas famílias.

Na sexta-feira, quase mil deles ainda permaneciam no Acre esperando ajuda. Entre 300 e 400, segundo cálculos do governo do Acre, já conseguiram sair do abrigo para completar o último trecho da travessia, que tem como destino os mercados de trabalho do centro e sul do país.

Quem vai hoje a Indianópolis, no Paraná, por exemplo, os encontra pelas ruas da pequena cidade. Mas há naqueles rostos estrangeiros uma relativa paz, um fio de esperança, um sorriso querendo aparecer pelo simples fato de terem arranjado trabalho. Neste momento, é tudo que querem: trabalhar. O que vai acontecer com eles daqui para frente só quem é imigrante, tipo que brasileiro conhece muito bem, pode ter uma ideia aproximada.

 

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