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Haitianos no Acre oferecem oportunidade para Brasil consolidar posição de solidariedade internacional

Pablo Pereira

16 de abril de 2013 | 01h10

O Brasil está à beira de perder, se é que ainda não perdeu, uma vantagem conseguida a duras penas pelo pessoal da missão de paz e estabilização do Haiti, trabalho realizado por uma força chamada Minustah desde antes do trágico episódio do terremoto de 2010. A situação degradante dos 1,3 mil haitianos – e dezenas de outros cidadãos africanos refugiados – que estão em abrigo precário em Brasileia, no Acre, conforme mostrou o Estado, pode acabar rapidamente com o esforço de anos de tentativa de consolidação do país como nação solidária no mundo.

Desde o Barão do Rio Branco, que aliás é um dos pais do Acre, o País se oferece ao mundo como alternativa de abrigo de crises humanitárias internacionais e como atração para grupos étnicos dos mais diversos. Foi assim que o país se formou e se desenvolveu. Isso está impresso em cada sobrenome ao nosso redor. E só para lembrar caso recente, foi assim também na crise da Palestina. E atualmente tem sido assim com o sinal verde para trabalhadores europeus que enfrentam a crise econômica. O Brasil recebendo milhares de portugueses e espanhóis em busca de oportunidade no mercado nacional.

Essa política de portas abertas terminou por criar, no momento do pico da crise haitiana, uma categoria especial de aceitação de imigrantes, os do visto humanitário, concedidos nos últimos meses aos cidadãos do Haiti que tentam reconstruir suas vidas depois da tragédia. Nos últimos dias, no entanto, com o aumento da pressão na fronteira do Acre, a burocracia travou a liberação de papéis e expôs os refugiados a um cotidiano humilhante: dormir praticamente ao relento e disputar comida no braço três vezes ao dia, produzindo cenas impressionantes em solo brasileiro.

A situação começa agora, desde este domingo, 14 de abril, a retornar ao rumo aceitável com a intervenção, finalmente, de autoridades de Brasília, acordadas para o problema depois dos gritos do decreto de emergência do governador Tião Viana (PT), a quem foi deixado o trabalho do atendimento da emergência na fronteira. O esforço de desta semana, segundo o secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, é para zerar a demanda de documentos. Com isso, os haitianos poderão tomar o rumo para se integrarem numa economia que vive com taxas de desemprego na casa dos 5%, o que em “economês” quer dizer quase pleno emprego – ou seja, aquela parte do gráfico na qual aparece o trabalhador que saiu de um emprego para entrar imediatamente em outro ainda melhor.

Ambiente mais favorável à integração desses refugiados, impossível. A quantidade deles – 1.3 mil, que restam dormindo sobre papelão e disputando quentinhas no tapa, como indigentes – está longe de ser um problema incontornável. Com um mínino de articulação do setor público com o setor empresarial, como já está acontecendo, o negativo vira positivo – para todos os lados.

 

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