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Greve no Beco de Angela Vieira!

Pablo Pereira

24 Março 2010 | 20h06

Outro dia vimos aqui a história de um pernambucano que escolheu São Paulo para fazer a vida preparando o pão nosso de cada dia, no bairro Sumaré. Teve gente que ficou com água na boca só de saber como o padeiro cria aquela maravilha crocante.

Pois hoje, olhando o acervo de O Estado de S.Paulo, li uma história tensa sobre pão. É a história de Angela Vieira, paulistana, que lá pelos 1730 vivia no centro antigo, proximidades da Rua Direita, e deu nome ao lugar: Beco de Angela Vieira. 

Angela era padeira. No Beco viviam a dita Angela e umas vizinhas, que também forneciam pão à cidade, conta em seu S. Paulo Histórico o escritor Nuto Sant’Anna. À época, o ofício de amassar pão era exclusividade das mulheres. Mas, como na São Paulo de hoje, toda atividade produtiva tinha lá de morrer com algum dinheiro para o estado. E as padeiras do Beco não escapavam do fisco.

 Em 1739, estava a Câmara envolvida com o preço do alimento – e legislando até sobre os ingredientes -, quando “a chapa esquentou”. As padeiras discordaram da vereança e decidiram, pasmem, entrar em greve!

Lembra o historiador Sant’Anna que a cidade vivia uma epidemia de varíola e que as mulheres foram ameaçadas, então, pelos “edis”. As penas seriam de multa e prisão, caso as padeiras do Beco não retomassem o fornecimento à cidade. Voltaram ao trabalho, claro. Deve ter sido a primeira greve de padeiros da cidade.