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Gastos de emergência revelam sintoma da falta de planejamento

Pablo Pereira

04 Outubro 2012 | 12h00

O que o distinto contribuinte espera de um administrador público? Espera que ele ofereça soluções para os conflitos de interesse da vida em sociedade. Espera que o administrador público resolva os problemas que surgem da convivência urbana – já que o que está na ordem do dia é o comando da Prefeitura.

Mas todo mundo sabe, também, que desde que Jericó, a 11 mil anos, começou a se formar como pioneira da vida urbana, que não basta agir nas cidades como gerente ou zelador – ficar tampando buracos, trocando lâmpadas ou desentupindo bueiros.

É preciso que o administrador público, em seu competente espaço geográfico e político, seja mais do que um síndico. É preciso ser estrategista, pensar, planejar o bem comum de médio e longo prazos. É preciso que o administrador público seja alguém que use os orçamentos para se antecipar às crises.

Reportagem de Adriana Ferraz, no Estadão, sobre os gastos da Prefeitura de São Paulo com emergências, nos mostra o quanto estamos distantes desse ponto. Somente neste ano, o administrador público municipal gastou R$ 23 milhões com obras de emergência em viadutos e pontes na cidade. É o preço da falta de planejamento. Não é possível esperar a enchente para construir o piscinão; apagar o incêndio para construir habitação popular; cair um pilar para refazer a ponte.

Quem não investe em melhorias e conservação paga por isso. Adriana Ferraz conta ainda que de 2009 para cá a cidade “gastou nove meses mais com correção das chamadas ‘obras de arte viárias’, que incluem ainda túneis e passagens subterrâneas, do que com manutenção.”

E note que, segundo a reportagem, neste cálculo da cobertura emergencial de ocorrências na cidade ainda não há o custo do conserto do Viaduto Orlando Murgel, destruído parcialmente dias atrás por um incêndio de uma favela, a Favela do Moinho, uma das mais de 1.500 chagas sociais existentes na cidade há anos.

O financiador, lembremos, é o amigo contribuinte paulistano – de quem o caixa municipal suga mais do que deveria, e sem a menor cerimônia. A Fazenda anual é bilionária, na casa dos R$ 40 bilhões, e crescente. E, segundo a propaganda eleitoral na TV, há milhões sobrando no cofre. Não é mais falta de dinheiro. É falta de visão.

(texto também publicado na Edição Noite do Estadão no iPad)

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