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Faroeste paulistano

Pablo Pereira

01 de junho de 2012 | 22h28

Mais um arrastão em restaurante em São Paulo. Depois do ataque à pizzaria Bráz, no dia 28, agora foi contra o Carlota, na mesma rua de Higienópolis, a Sergipe. Arrastão, tiroteios, mortos, polícia e bandidos se enfrentando à bala nas ruas como se vivêssemos num faroeste. Esses episódios de violência urbana se repetem na grande metrópole como se fossem normais na convivência. Ah, a vida em São Paulo é assim mesmo, perigosa…

Não! Não pode ser. A brutalidade entorta o modo de vida. E não pode ser encarada como se tudo estivesse numa boa. São sintomas que devem ser sempre estranhados, refutados, combatidos com políticas públicas que reduzam a criminalidade e produzam clima de vida agradável.

E aqui não se trata de “masturbação sociológica”, aquela marotagem usada por Sergio Motta. Todos estão cansados de saber que é sim possível abaixar os índices de criminalidade fortemente. O discurso oficial de que fazer polícia é enxugar gelo não pode mais ser aceito como verdade única depois que administradores de outros centros – e aqui, mais uma vez, o exemplo de Nova York – detonaram seus índices e ofereceram para sua população – inclusive aos turistas brasileiros que visitam a cidade – um clima de sociedade admirável.

Mas o que se vê em São Paulo e o agravamento dessa crise interminável, de suspeita e temor, que apavora as pessoas nas ruas, e dentro de casa. Há na cidade, nos últimos meses, uma reforço da sensação de insegurança bombada em muito por uma nova rodada de arrastões a prédios de condomínios e a restaurantes.

Os números em maio, segundo policiais encarregados da repressão a esse crime contra patrimônio, como o delegado Mauro Fachini, da 4ª Delegacia, já atingiram volumes de casos de 2011. E ainda temos meio ano pela frente. Quem acompanha o noticiário local do Jornal da Tarde, por exemplo, sabe que o número de arrastões já bate em 20 casos no ano, com ataques registrados em outras unidades de polícia, portanto, fora daquela contagem oficial.

Na rua, a bandidagem está ousada. Há regiões, como bairros da Zona Sul, que estão ficando estigmatizados pela ação de quadrilhas. Cercam clientes na hora do almoço, da diversão, da pizza nossa de cada noite, e fazem a limpeza. Alarmismo? Não. É só ouvir rádio, ler jornal, ver TV, ou arriscar-se para jantar.

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(texto originalmente publicado no Estadão Noite do iPad)

 

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