Em SP, dentro da bolha
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Em SP, dentro da bolha

Pablo Pereira

25 de agosto de 2010 | 06h10

Há mais de 40 anos, numa novela de rádio, ouvi a apocalíptica história de um grupo de pessoas que sobrevivera a uma explosão nuclear. Viviam em uma bolha de alguns quilômetros, sem saber exatamente o que havia acontecido no mundo, cercados por uma mortífera parede de fumaça radioativa. Era uma visão do futuro. O cenário era nítido somente no interior da bolha. 

Não lembro bem de toda a história, nem do autor do roteiro. Mas recordo que os personagens caminhavam até o limite de um terreno e que lá havia uma parede de fumaça a partir da qual tudo estava descolorido. Nessa bolha viveram por muito tempo. Pelo menos até que o roteirista decidiu acabar com a coisa. E, um dia, acho que no último capítulo, a fumaceira sumiu para que os sobreviventes vissem que o resto do mundo tinha sido devastado. E era preciso recomeçar a vida.

Lembrei da história, que vive na caixinha de lembranças da adolescência – misturada com personagens dos livros de Monteiro Lobato e Érico Verissimo -, ao ver o céu de São Paulo hoje cedo. Estava lá a fumaceira escondendo a Serra da Cantareira e ofuscando a visão de prédios próximos. O ar carregado, visível. Tomara que essa angústia, que já dura pelo menos uma semana em São Paulo, não demore tantos capítulos a se dissipar.

 

Poluição do ar: imagem da zona norte de São Paulo na manhã desta quarta, 25

Poluição do ar: imagem da zona norte de São Paulo na manhã de quarta, 25

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