“El perro Azabache”, o cão herói da Colômbia
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“El perro Azabache”, o cão herói da Colômbia

Pablo Pereira

22 Janeiro 2016 | 17h35

peligro

A explosão de uma mina de guerra matou um cachorro treinado para o perigoso trabalho de desminagem na Colômbia, informa a agência EFE. De acordo com o informe, o labrador Azabache, um dos 450 cães usados pelo Exército regular para a localização de minas abandonadas na guerra contra a guerrilha, morreu ao detonar uma mina na localidade de Pátio Bonito, município de Suárez, estado de Cauca. O animal foi socorrido pelos soldados do grupo de desminagem, mas não resistiu ao impacto. Segundo militares da operação, Azabache é um herói porque sua morte salvou a vida de pelo menos 30 soldados.

O problema das minas abandonadas principalmente na área rural da Colômbia é gravíssimo. Dados oficiais do governo, que mantém uma comissão atuante no processo de limpeza do solo após meio século de guerra – que felizmente parece avançar rumo a paz, finalmente, nas reuniões de Havana -, mostram que há mais de 11 mil pessoas mortas ou feridas, mutiladas, por explosões acidentais como a que matou o cachorro Azabache. Em julho, um soldado morreu num desses acidentes no campo minado de Briceño.

Em novembro, o Estado esteve nos campos minados colombianos dos municípios de Sonsón e Cocorná, onde técnicos de ONGs e do Exército (Batalhão de Desminagem) limpam as matas e lavouras abandonadas usando especialistas treinados para encontrar as bombas e cavocar com as próprias mãos ao redor delas. Muitas são artefatos improvisados armados com seringas de injeção.

Seringa explosiva Bides

O Brasil auxilia nesse processo com militares da Marinha ministrando cursos para as Forças regulares da Colômbia em uma base da Armada, a Marinha colombiana, localizada em Coveñas, no litoral caribenho. Este país é um belo lugar, privilegiado, por exemplo, com dois oceanos, Pacífico e Atlântico, e uma linda área montanhosa formada por duas cadeias elevadas que se formam no fim dos Andes em forma de V.

No último dia 18, o município de San Vicente de Chucurí, foi o quinto a ser declarado oficialmente livre de minas. Quando isso acontece, ao final dos trabalhos de desminagem, a população faz festa. É a liberdade voltando. Em pelo menos duas frentes de buscas pelas minas e explosivos o trabalho é feito por grupos integrados por soldados regulares e soldados das Farc-EP, com intermediação da ONG da Noruega. Em página na internet, líderes das Farc apoiam o trabalho e preparam a militância para operar politicamente, abandonando as armas e a vida no isolamento da selva.

Chegar à paz na última das guerras nacionais latinoamericanas não será fácil, mas o processo avança. Fevereiro e março serão meses cruciais na finalização dos compromissos e acordos para que a Colômbia volte a ter segurança institucional a caminho da democracia e possa se encarregar não somente da desminagem, trabalho árduo que vai consumir anos de buscas e temor de acidentes, mas também da reconciliação entre as partes. As feridas são profundas na sociedade dividida pela guerra e pelas sombras deixadas pela morte e perdas em ambos os lados.

 

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