As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

E Ulisses, ACM e Tancredo se achavam espertos

Pablo Pereira

07 Maio 2013 | 13h56

Acompanho a movimentação política brasileira por dever profissional pelo menos desde a década de 80, tempos dos generais, de Ulisses Guimarães, Antonio Carlos Magalhães, Tancredo Neves. Antes disso era o período da resistência ao autoritarismo, quando só há dois lados bem claros, o dos contra e o dos a favor. Não havia espaço seguro para a prática política propriamente.

É desse período o surgimento da geração de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Lula, Dilma Rousseff – os quatro saídos das sombras do autoritarismo para a vida palaciana a partir dos anos 90, período no qual o país iniciou caminhada no rumo da melhoria da distribuição de renda, que hoje atinge o sonhado momento de pleno emprego. Ou seja, foram anos de uma rica efervescência política com resultados diretos no bolso das famílias brasileiras.

Mas nesse Brasil de hoje, no entanto, por conta do sistema herdado da redemocratização, reformado na Constituição de 1988, época de acomodação, ainda vivemos momentos de sobressaltos e vemos muita coisa estranha acontecendo. Como, por exemplo, o rol de escândalos no setor público, que só aumenta.

Do ponto de vista da prática política efetiva, porém, acaba de ocorrer algo realmente impressionante. O Brasil vai ter um ministro nomeado pela presidenta Dilma Rousseff (PT), Afif Domingos, que é vice-governador de São Paulo, portanto o segundo homem na hierarquia do Palácio Bandeirantes, um auxiliar do tucano Geraldo Alckmin, a estrela político-eleitoral do principal partido de Oposição.

Como assim? É isso mesmo! Sensacional!

Afif vai cobrar o escanteio oposicionista em São Paulo e cabecear na área situacionista em Brasília.

E Ulisses, ACM e Tancredo se achavam “os” espertos.

Mais conteúdo sobre:

Política