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E o sabiá “tuíta” na madrugada paulistana

Pablo Pereira

03 de setembro de 2015 | 15h46

Já é setembro e os sabiás, abundantes nos arredores da antiga Villa Kyrial, não nos deixam esquecer sua época de procriação. Um bando que habita a região tem acordado cada dia mais cedo. Outro dia, uma dupla começou a trocar trinados às 3h15! Um deles, no galho bem ao lado de minha janela, de cabeça erguida, peito cheio, noticiava sua alegria de viver a proximidade da primavera. O canto invadia o silêncio da casa, que estava na penumbra da madrugada. Ao longe, um outro deles respondia às notas da provocação. Logo, um terceiro, despertado na sinfonia, fazia o bairro parecer uma bucólica localidade rural.

Mas, lá fora, as luzes ainda não eram as da aurora, mas as urbanas, que se refletem no céu, amarelado, clareando a noite.

Muito Bonito!

Por uns bons quinze minutos foi agradável saber que eles não precisam do WathsApp pra conversar – e, com certeza, nem sabem das crises humanas. Empoleirados, livres, “tuítam” e “retuítam” sem wi-fi nem rede, direto, em sua criptografada e encantadora língua de passarinho. Não são aves quaisquer. São nobres, têm título. Desde outubro de 2002, por ordem solene do então presidente Fernando Henrique, invocado o Artigo 84, inciso 2º, da Constituição da República Federativa do Brasil, os Turdus rufiventris foram elevados (sim senhor!) à categoria de símbolo da ornitologia nacional.

Ah, o que eu não daria para ter aqui Mário Quintana e Manoel de Barros para decifrar esse fraseado do sabiá-laranjeira…

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