Dinossauros nanicos, com ossos de passarinhos, viveram em Ibirá (SP)
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Dinossauros nanicos, com ossos de passarinhos, viveram em Ibirá (SP)

Pablo Pereira

20 de maio de 2022 | 14h40

Ossadas de uma pequena manada de dinossauros de pescoços longos e de quatro patas, animais que se alimentavam de plantas, encontrada na área onde hoje está a cidade de Ibirá, entre Catanduva e São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, mostram que esses bichos tinham  ossos com ‘sacos aéreos”, estruturas semelhantes ao que se encontra nos pássaros.

“Esses sacos aéreos estão localizados na coluna vertebral”, explica o paleontólogo Tito Aureliano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estudou as ossadas encontradas em pesquisa dos colegas caçadores de dinossauros Aline Ghilardi e Marcelo Fernandes. O trabalho foi publicado recentemente e um novo texto, com os nomes científicos dos dinos de Ibirá deve  ser publicado.

Os bichos eram um tipo de titanossauro nanico, do tamanho de um pônei, e habitavam a região há 80 milhões de anos, no Período do Cretáceo, aponta estudo do paleontólogo em parceria com Fresia Ricardi-Branco. O animal, cujos fósseis foram localizados em escavações em um morro do município paulista, teve os ossos analisados por tomógrafos que revelaram uma estrutura cheia de cavidades e vazios.

Ilustração da pesquisa mostra o resultados dos exames de laboratório  feitos nas ossadas dos dinossauros  pelos cientistas/ Reprodução

“Esses sacos aéreos aliviavam o peso e ajudavam no controle da temperatura corporal”, explica Aureliano, cientista, de 33 anos, que estuda a conformação óssea destes primos dos grandes dinos, aqueles gigantes, mais famosos, que chegavam a ter de 20 a 25 metros de altura. A pesquisa quer entender como esses anões de Ibirá viveram em áreas do noroeste do Estado de São Paulo e explicar a sobrevivência deles durante períodos de mudanças extremas no clima do Planeta. Ele é um especialista em tecidos fossilizados de dinossauros.

O paleontólogo destaca que a Terra, à época, tinha uma temperatura média bem superior à atual. “São Paulo e o Brasil eram desertos, áridos, quentes”, diz o pesquisador.  Aureliano afirma ainda que a extinção desse tipo de animal ajuda a explicar os perigos das mudanças climáticas advindas do desmatamento que é uma ameaça atual no mundo e no País.

Ele acredita que as alterações no clima podem levar o Planeta novamente a uma situação de desertificação e contribuir para a formação de grandes áreas de transformação geográfica com o desaparecimento de espécies.

O cientista ressalta que os ‘sacos aéreos’ presentes nos organismos  dos pássaros estavam também nos dinos nanicos pescoçudos de Ibirá, extintos.  A pesquisa de Aureliano dá seguimento ao trabalho dos paleontólogos Aline Ghilardi e Marcelo Fernandes, que estudam o assunto há mais de 15 anos.

“São peças de vértebras pneumatizadas”, diz o pesquisador. “Mas isso não tem nada a ver com o voo”, alerta. “Era um mecanismo de controle de temperatura na evolução das espécies”, esclarece. “Os pássaros, que têm esse tipo de ossos até hoje, são criaturas que passaram pelo funil da evolução, mas nem todas as aves voam”, pondera. Segundo ele, a região do interior paulista é rica também em fósseis de outros animais, como os primos de jacarés e crocodilos.

Durante o trabalho, os cientistas descobriram também que pelo menos um dos indivíduos pesquisados era portador de uma doença parasitária. “Era uma doença parecida com a leishmaniose. Ele tinha uma séria de caroços pelo corpo. A gente achou, pela primeira vez na ciência, parasitas dentro dos canais vasculares”, relata o pesquisador. “A preservação desse material encontrado é excelente. É uma oportunidade rara na observação destes fósseis”, afirmou. “O estudo dos dinossauros nos ensina também a importância da preservação do meio ambiente”, afirma Tito Aureliano.

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MAIS DA PESQUISA

A pesquisa dos cientistas brasileiros se situa no Período Cretáceo, a cerca de 80 milhões de anos (120 milhões a 65 milhões de anos).

A ciência diz que o Planeta tem 4,5 bilhões de anos.

Há cerca de 250 milhões de anos, os continentes ainda eram unidos, existia o que se chama de Pangeia.

Essa conformação geológica evoluiu se fracionando primeiro em duas partes, Laurásia, ao norte, e Gondwana, ao sul.

Depois (200 milhões de anos) começaram a se  formar os continentes sendo separados pela água do Oceano Atlântico.

É o período que se chama Triássico, sendo seguido do Jurássico (180 milhões de anos), que é o  tempo do domínio dos grandes dinossauros, no qual também surgem os pássaros.

Depois vem o Cretáceo (120 milhões de anos até 65 milhões de anos). É no Cretáceo que estão os dino nanicos encontrados e que habitavam o interior paulista. Eles convivem também com os grandes dinossauros, de mais de 25 metros.

O paleontólogo Tito Aureliano explica que a evolução da vida está ligada à dança dos continentes,  que é provocada pela energia do interior do Planeta.

 A presença humana (conhecida)  tem “somente” 300 mil anos.
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