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Dengue: epidemia não é culpa da natureza

Pablo Pereira

18 Maio 2015 | 15h28

Outro dia, conversei com diversos pesquisadores, cientistas de diversas áreas, que trabalham com o mosquito Aedes aegypti em São Paulo. Resumo: a dengue assusta, o mosquito está vencendo a batalha, mas o uso de veneno no combate à praga dos rajadinhos, que preferem sangue humano ao de outros animais e picam durante o dia, numa intrigante evolução de comportamento, é tida pela comunidade científica como abominável.

Veneno contra mosquito só em último caso e sob rígido controle. E tome fazer campanha para que a população faça combate das larvas dentro das casas.

Abaixo, destaque da entrevista do entomologista Paulo Urbinatti, pesquisador do mosquito há 30 anos, que está no extenso material publicado no domingo no Estadão e no Youtube. Para ele, o controle é difícil mesmo e, nesta temporada, o mosquito “está vencendo a batalha”.

Nas entrevistas para reportagem do Estado, já postadas aqui no Blog, conversei também com a pesquisadora Margareth  Capurro Magalhães, da USP/Fapesp, uma das dedicadas estudiosas de alternativas genéticas de controle da espécie que transmite dengue, febre amarela, chikungunya – e quem sabe lá mais quais moléstias.

Margareth Capurro, que tenta até a inversão sexual de fêmeas, as vilãs da dengue, diz não ter dúvidas sobre qual o principal motivo da expansão do mosquito em São Paulo, a cidade que registra recordes de infestação e contaminação, com crianças e idosos morrendo por conta da picada da fêmea do Aedes. Para a especialista, não há dúvidas de que a proliferação do mosquito é consequência do armazenamento de água por conta da seca.

“Basta comparar os bairros nos quais houve falta de água com os bairros que registram mais dengue”, diz a pesquisadora. Ou seja, a Cantareira secou, paulistanos ficara sem água nas torneiras e…? E desandaram a comprar reservatórios para armazenar água em casa. O mosquito adorou!

A vida é assim. Quando o poder público (federal, estadual, municipal) arrecadador de impostos, altíssimos, não planeja, perde o tempo e faz apostas erradas; quando investimentos não são feitos numa área tão sensível quanto o saneamento básico – água na torneira -, a conta vai aparecer em outra ponta. 

A epidemia da dengue não é culpa da natureza!

 

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