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Debate da Fundação FHC vai abordar crise nos EUA e o Brasil

Pablo Pereira

07 de janeiro de 2021 | 15h20

As relações do Brasil com os Estados Unidos são relevantes desde o século 19. A rica obra de Euclides da Cunha (1866-1909) já abordava isso à época. Mas foi com o Barão do Rio Branco (1845-1912), ministro das Relações Exteriores do Brasil (1902-1912), que o tema tomou clareza e jeito, logo na virada do século 20, em 1905, quando o antigo chanceler do Itamaraty instalou o diplomata Joaquim Nabuco (1849-1910) em Washington com a tarefa de construir uma ligação duradoura.

A aproximação entre os dois países foi reforçada nas décadas seguintes com a aliança contra o nazismo, firmada entre Franklin D. Roosevelt  (1882-1945) e Getúlio Vargas (1882-1954), que teve até busto de bronze esculpido pelo norte-americano Jo Davidson (1883-1952), em 1939, a pedido do então presidente dos EUA. Logo após, numa reunião à bordo de um navio de guerra, o USS Humboldt, em Natal, em janeiro 1943, essa parceria consolidou-se no histórico episódio que ficou conhecido como a Conferência do Rio Potengi. São fatos relatados, entre outros documentos, pelo historiador Lira Neto no livro “Getúlio”. Naquele encontro secreto no Rio Grande do Norte, revelado no dia seguinte, foi selado o pacto antinazista dos dois países, o que garantiu operação para forças armadas aliadas no litoral brasileiro no caminho para a Segunda Guerra Mundial. 

Pois agora, 78 anos depois, um momento de tensão na política da América, quando as ideias do populismo fascista parecem ter tido novo impulso de norte a sul do continente, torna-se fundamental pensar sobre essas relações. A própria democracia americana está sob ataque de radicais de direita. Os fatos de ontem, 6 de janeiro, no Capitólio, denunciam a crise, reconhecida até por alguns líderes do Partido Republicano como uma tentativa de golpe de Estado. 

Uma oportunidade para refletir sobre isso vai acontecer na próxima semana, dia 13, 10h30, na Fundação FHC, em São Paulo. É um debate, via internet, programado para ocorrer entre Arturo Valenzuela, subsecretário de Estado para a América Latina do governo Barack Obama, e Hussein Kalout, assessor internacional da Presidência do Brasil, governo de Michel Temer. Com a derrota do Trumpismo lá  – e o retorno do Partido Democrata ao poder – deu-se a questão: como será a relação entre os dois países em tempos de Bolsonaro no Planalto e Joe Biden na Casa Branca?

 

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