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Controle ambiental do lixo plástico avança

Pablo Pereira

14 de maio de 2021 | 10h43

Grupos de ambientalistas internacionais estão comemorando a inclusão na lei ambiental do Canadá, o “Canadian Environmental Protection Act (CEPA)”, do plástico como um material poluidor do meio ambiente. A administração do primeiro-ministro Justin Trudeau decidiu colocar os manufaturados de plástico na lista de produtos (item 163) controlados pela lei canadense que rege substâncias e lixo tóxicos. A medida permite a elaboração de regras para controle pelo governo da poluição ambiental desses produtos naquele país.

Com a decisão, o governo canadense passa a ter autoridade para regulação do uso dos produtos de plástico para mantê-los longe de incineradores, aterros sanitários e do meio ambiente. A medida abrange itens plásticos como sacolas de compras, contêineres, canudos, agitadores, talheres e embalagens, avalia nota da Oceana Canadá, entidade de defesa e proteção do meio ambiente. A decisão do ministro canadense do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Jonathan Wilkinson, de adicionar plásticos como poluidor no Cronograma 1 do CEPA “nos coloca um passo mais perto de encerrar o fluxo fatal de plástico em nossos oceanos”, escreveu Ashley Wallis, da Oceana Canadá.

“É um passo crítico no plano do Canadá para lidar com a crescente crise de poluição do plástico, permitindo regulamentações que reduziriam o uso desnecessário de plástico e apoiar uma economia circular não tóxica e de baixo carbono”, explica nota Oceana Canadá. “O governo federal precisa usar todas as ferramentas disponíveis para acabar com o crescente desastre do plástico, incluindo uma forte proibição de itens de plástico descartáveis.  A hora de agir é agora”, emendou Wallis. O plástico passa a ser material tóxico no país, destacou também reportagem do National Observer, que mostra o impacto do uso desses materiais na vida de animais e na natureza.

Outra preocupação crescente entre ambientalistas é o alto consumo das máscaras descartáveis de proteção contra a covid-19. Um estudo publicado em julho na revista The Lancet  já abordava os riscos desde o princípio da pandemia. O artigo ressalta a relevância das máscaras faciais na medicina desde a segunda metade dos anos 1800, mas alerta para os efeitos do acúmulo das máscaras descartáveis e outros materiais hospitalares para a saúde pública.

No Brasil, o debate também é presente. O País joga anualmente 325 mil toneladas de resíduos plásticos no mar, conforme estudo da Oceana Brasil publicado em dezembro e mostrado no Estadão. Já a indústria defende o uso dos produtos de plástico ressaltando a relevância econômica da cadeia de produção, a diversidade do uso, a reciclagem dos descartáveis e campanhas do que chama de “educação e atitude” para o uso dos produtos de plástico.

 

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