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Com Deaton, Francisco e Pulitzer, contra a pobreza

Pablo Pereira

12 de outubro de 2015 | 12h17

A assunto pobreza está na moda. O mundo está preocupado com os pobres. Do papa Francisco aos poderosos governos americano e europeus, assediados pela migração não só de fugitivos de guerras, como a da Síria, mas também pelos desfavorecidos de outros continentes que olham as ricas nações da Comunidade Europeia como uma oportunidade de sair da miséria. Coroando isso, hoje o britânico Angus Deaton, que leciona em Princeton, nos EUA, levou o Prêmio Nobel de economia exatamente por sua contribuição para o entendimento do tema.

A imprensa mundial deveria comemorar muito esse dia. Mais de um século atrás, o pai do jornalismo moderno, Joseph Pulitzer, cujo importante prêmio jornalístico americano completa centenário no próximo ano, pregava nesse sentido. O jornalismo é um serviço público que tem foco nos pobres, aqueles que não têm voz na sociedade.

No Brasil, a preocupação está presente fortemente no cenário político na medida em que a partir da estabilização da moeda e das políticas de compensação e inclusão no consumo de milhões de pessoas nos últimos anos houve uma alteração no perfil dos brasileiros, influenciando até o arco de medição do crescimento infantil – e hoje é o Dia da Criança.

A redução da pobreza no país é real, porém, ainda está longe de alcançar situação de controle estável. Há uma enorme carência a ser atendida nas regiões de concentração de baixa renda. Para se ver esse quadro lastimável não se precisa nem ir ao fundão brasileiro, onde as desigualdades chegam a ser escandalosas, principalmente nos quesitos saúde e educação – outra vez os pequenos são as maiores vítimas. Basta visitar áreas da periferia, como Barueri, Itaquaquecetuba, Taboão, Osasco e outras cidades metropolitanas, além de bairros como a Brasilândia, São Miguel, Campo Limpo, enfim. Não é porque dá pena; é porque é uma burrice sem tamanho manter toda aquela gente sem chance de melhorar de vida, movimentar a economia e consumir mais – jornais, inclusive.

E agora, com jovem democracia brasileira atropelada pela corrupção e o oportunismo e sob oscilações políticas e econômicas, conquistas recentes do combate à desigualdade estão sob ameaça. É urgente que se encontre novamente o caminho para o crescimento para que o esforço da luta pela inclusão social não tenha sido em vão e que os pobres daqui, que já se achavam na “classe média”,  não sofram a frustração de (mais) uma esperança perdida.

Que Pulitzer nos inspire. Que o professor Deaton nos esclareça – e o papa reze por nós!

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